sábado, 29 de junho de 2013

"As Lendas Vivas" (Part. 1)

Eles brilharam nos tempos áureos de Hollywood e hoje, vivos, permanecem reluzindo.

Em 2011, ao anunciarem a morte da estrela Elizabeth Taylor, a mídia, com seus diferentes meios de comunicação, se referia a atriz como sendo “a última lenda viva dos tempos áureos de Hollywood”. Para nós, atentos cinéfilos, a mídia estava equivocava, afinal, dos tempos áureos de Hollywood, “ainda” restam grandes nomes desfrutando de uma boa e ativa vida. Conheça abaixo algumas das maiores lendas vivas do cinema;


Luise Rainer
(Dusseldorf – Alemanha, 12 de Janeiro de 1910)
(Faleceu no dia 30 de dezembro de 2014)

Apesar de hoje ser pouco lembrada, Rainer faz parte da história do cinema por diversos fatores; Primeiro por ter sido a primeira atriz alemã a vencer o Oscar e segundo por ter sido também a primeira atriz a receber dois Oscar de melhor atriz consecutivos. Sua estreia nas telas foi em 1932 no filme alemão “Sehnsucht 202”. Em 1936, já em Hollywood, Rainer recebeu o Oscar por “Ziegfield, O Criador das Estrelas” e no ano seguinte por “Terra dos Deuses”. Esse último prêmio inclusive, a atriz “tirou” das mãos da poderosa Greta Garbo, que naquele ano era a favorita por “A Dama das Camélias” de George Cukor. Em 2003, Luise Rainer esteve ao lado de outros campeões do Oscar em uma das homenagens mais emocionantes realizadas nas cerimônias da academia. Atualmente, com 103 anos, Rainer vive em Londres e sem dúvidas é a lenda viva mais idosa do cinema. Melhores Filmes: “Ziegfield, O Criador das Estrelas” (1936), “Terra dos Deuses” (1937), “A Grande Valsa” (1938).



Olivia De Havilland
 (Tóquio - Japão, 1 de Julho de 1916)

Estreou no cinema em 1935 na comédia “Esfarrapando Desculpas” de Ray Enright. Dos anos 30 até meados da década de 60, De Havilland trabalhou incessantemente. Venceu dois Oscar de melhor atriz por “Só Resta Uma Lágrima” (1947) e “Tarde Demais” (1949). Divorciada desde 1979, hoje vive tranquilamente na companhia dos empregados em Paris. Em 2003, ao participar de uma homenagem na 75º cerimônia do Oscar, De Havilland ocasionou sem dúvidas o momento mais emocionante da noite ao ser aplaudida de pé por diversos segundos ao som da trilha sonora de “E o Vento Levou”.  Apesar de estar ótima em diversos filmes, principalmente nas diversas aventuras ao lado de Errol Flynn, definitivamente seus melhores Filmes são: “E o Vento Levou” (1939), “Na Cova Das Serpentes” (1948) e “Tarde Demais” (1949).



Kirk Douglas
(New York - USA, 9 de Dezembro de 1916)

Estreou nos cinemas em 1947 no ótimo Noir “O Tempo Não Apaga” ao lado da estrela Barbara Stanwyck. Nos anos 50 participou de uma sucessão de sucessos como “A Montanha dos Sete Abutres”, “Chaga de Fogo”, “Assim Estava Escrito”, “Ulysses” e “20.000 Léguas Submarinas”. Nos anos 60 alcançaria sua quintessência no épico “Spartacus” de Stanley Kubrick. Desde sua estreia, Kirk Douglas vem trabalhando em praticamente todas as décadas, quer seja como ator, diretor, produtor, ou narrador. Seu último trabalho, até então, foi o filme “Acontece nas Melhores Famílias” de 2003. Em 2011 fez uma participação emocionante e engraçada na cerimônia do Oscar, entregando o prêmio de melhor atriz coadjuvante a Melissa Leo. Hoje, o pai de Michael Douglas, vive tranquilamente na Califórnia ao lado da segunda esposa, Anne Boydens. Melhores Filmes: “A Montanha dos Sete Abutres” (1951), “20.000 Léguas Submarinas” (1956) e “Spartacus” (1960).



Abaixo assista Olivia De Havilland apresentando no Oscar 2003 uma das homenagens mais emocionantes da história da acadêmia, na ocasião, grandes lendas vivas estavam presentes;




Zsa Zsa Gábor 
 (Budapeste- Império Austro-Húngaro, 6 de Fevereiro de 1917)
(Faleceu no dia 18 de dezembro de 2016)

Gábor começou a carreira como modelo, no entanto, após vencer um prêmio de miss em seu país de origem a mesma se mudou para os Estados Unidos no inicio dos anos 50 para estrelar uma série na televisão e em seguida seu primeiro filme em Hollywood, o musical de Mervyn LeRoy “O Amor Nasceu em Paris” (1951). De lá para cá, a atriz participou de centenas de filmes, alguns que se tornaram clássicos, como “Moulin Rouge” (1952) e “Lili” (1953) e outros menores e esquecíveis, como o de Horror “A Hora do Pesadelo – Os Guerreiros dos Sonhos” (1984). Em 2002 após sofrer um acidente automobilístico a atriz passou a enfrentar diversos problemas de saúde, entre eles, a amputação da perna direita no inicio de 2012. Atualmente, desde 1988, vive ao lado de seu sétimo esposo, Frédéric Prinz Von Anhalt na Califórnia. Melhores Filmes: “Moulin Rouge” (1952), “Lili” (1953) e “A Marca da Maldade” (1958).



Danielle Darrieux
(Bordeaux - França, 1 de Maio de 1917)

Famosa cantora francesa, Danielle Darrieux estreou nos cinemas no inicio dos anos 30 com o filme “Le Bal” (1931); Ao longo dessa década, a sucessão de sucessos, sempre interpretando personagens introspectivas, elegantes e inteligentes a tornaram uma das maiores atrizes francesas de todos os tempos. Sempre alternando, Danielle Darrieux se dividiu entre o cinema francês e Hollywood, no entanto, seus melhores filmes são os realizados na França. Atualmente vive sozinha em Paris desde 1991 quando se tornou viúva do roteirista George Mitsikidés, com quem era casada desde 1948. Melhores Filmes: “Cinco Dedos” (1951), “Madame De” (1953), “Alexandre o Grande” (1956).



Joan Fontaine
 (Tóquio – Japão, 22 de Outubro de 1917)
(Faleceu no dia 15 de dezembro de 2013)

Irmã mais nova de Olivia De Havilland, ambas, apesar da idade avançada e mesmo desfrutando de ótima saúde, segundo consta, não possuem um bom relacionamento há décadas. Fontaine, que hoje vive solitária e reclusa na Califórnia, estreou nos cinemas em 1935 no filme “Adeus Mulheres” de Edward H. Griffith. Em 1940 estrelou o primeiro filme de Alfred Hitchcock em Hollywood, “Rebecca – A Mulher Inesquecível”. No ano seguinte, levou o Oscar de melhor atriz por sua interpretação em “Suspeita” (1941), novamente sob a direção do mestre do suspense. Melhores Filmes: “Rebecca – A Mulher Inesquecível” (1940), “Suspeita” (1941) e “Carta de Uma Desconhecida” (1948).



Maureen O'Hara
(Dublin - Irlanda, 17 de Agosto de 1920)
(Faleceu no dia 24 de outubro de 2015)

A bela e ruiva, de origem irlandesa, Maureen O´Hara estreou nos cinemas em 1938 no filme inglês “Kicking The Moon Around”. No ano seguinte, ainda na Inglaterra, ao lado do astro Charles Laughton estrelou “A Estalagem Maldita” sob a direção de Alfred Hitchcock. Diante do talento e da beleza estonteante da atriz, Laughton a leva para Hollywood, onde juntos atuam no clássico “O Corcunda de Notre Dame” (1939). O sucesso de O´Hara nos Estados Unidos é imediato e seus filmes se tornaram sinônimo de sucesso. Sob a direção de John Ford, O´Hara estrelou filmes inesquecíveis como, “Como Era Verde Meu Vale” (1941), “Rio Bravo” (1950) e Depois do Vendaval” (1952). Sua vida pessoal foi marcada por três casamentos, o último esposo, Charles F. Blair Jr, faleceu em um acidente aéreo em 1978 e desde então a atriz passou a viver ao lado dos parentes em  Glengarriff  no condado de County Cork na Irlanda. Maureen O´Hara, desfrutando de uma boa saúde, constantemente participa de eventos e homenagens relacionados ao cinema. Recentemente, a atriz esteve nos Estados Unidos onde participou de um tributo a seu amigo e companheiro de diversos trabalhos, John Wayne. Melhores Filmes: “Como Era Verde Meu Vale” (1951), “O Cisne Negro” (1942) e “Depois do Vendaval” (1952).



Mickey Rooney
(Brooklin – USA, 23 de Setembro de 1920)
(Faleceu no dia 06 de Abril de 2014)

Mickey Rooney estreou nos cinemas em 1927 quando ainda era criança em uma comédia muda chamada “Orchids and Ermine”. Sua carreira como ator mirim foi certa e desde então o ator não ficou um ano sequer longe das telas. Seu ápice veio no final dos anos trinta, quando já adolescente, viveu Andy Hardy em mais de quinze comédias familiares na MGM. Rooney também brilhou ao lado de Judy Garland em ótimos musicas como “Sangue de Artista” (1939) e “Calouros na Broadway” (1941) e ao lado da pequena garota Elizabeth Taylor no sucesso “A Mocidade é Assim Mesmo” (1944). A partir da década de 50 sua popularidade diminuiu, no entanto os trabalhos não e Rooney atuava como coadjuvante em diversos sucessos. Em 1961 interpretou hilariamente Yunioshi,o vizinho estressado de Audrey Hepburn em “Bonequinha de Luxo”. Depois de sete casamentos, desde 1978 encontra-se casado com Jan Chamberlin e atualmente, ambos vivem na Califórnia, atuando e defendendo as causas dos veteranos e dos animais. Mickey Rooney, que continua atuando em diversos projetos, esta no Guiness Book como o ator com a carreira mais longa do cinema, ao todo são ininterruptas dez décadas. Melhores Filmes: “Sonho de Uma Noite de Verão” (1935), “Uma Questão de Família” (1937) e “Sangue de Artista” (1939).



Valentina Cortesa
(Milão - Itália, 01 de Janeiro de 1923)

Estreou no cinema em 1941 no filme italiano “Orizzonte Dipinto”; Em 1949 alcança o sucesso internacional ao estrelar na Inglaterra o melodrama “A Montanha de Vidro” e em Hollywood o Noir “Mercado de Ladrões”. Em 1951 durante as filmagens de “Terrível Suspeita”, conhece o ator Richard Basehart, com quem se casou. O casamento durou pouco menos de dez anos e Cortesa desde então, nunca mais voltou a se casar.  Em 1973, a atriz perdeu para Ingrid Bergman o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu desempenho no filme de François Truffaut “Uma Noite Americana”; Na ocasião, a própria Bergman pediu desculpas a Cortesa alegando que o prêmio na verdade deveria ser dela. Outro papel que lhe rendeu muita fama foi o de Herodisa, na mini série de Franco Zefirelli Jesus de Nazaré (1977). Atualmente a atriz encontra-se aposentada, desde 1993 quando se despediu das telas com o filme “Sonho Proibido” novamente sob a direção de Zefirelli. Melhores Filmes: “Terrível Suspeita” (1951), “Irmão do Sol, Irmã da Lua” (1972) e “Uma Noite Americana” (1973).


Doris Day
(Cincinnati – USA, 3 de Abril de 1924)

Apesar de ter estrelado no cinema no final da década de trinta, foi somente nos anos 50 que Doris Day alcançou seu ápice. Os Filmes que lhe lançou ao estrelato foram “Ardida como Pimenta” (1953), “Ama-me Ou Esqueça-me” (1955) e “O Homem Que Sabia Demais” (1956); Em todos eles a atriz, que também é cantora, interpretou diversas canções, incluindo as vencedoras do Oscar “Secret Love” e “Que Será, Será”.  No final da década de 50 e inicio da década de 60, uma série de comédias românticas ao lado de Rock Hudson lhe deram a fama de “eterna virgem”, uma vez que seus personagens era o estereótipo da loura ingênua. Após perder o único filho em 2004, Doris Day passou a viver reclusa na companhia de diversos animais de estimação na Califórnia. Recentemente, Doris Day lançou um novo álbum intitulado “Meu Coração”, o sucesso do cd na Inglaterra fez com que Day se tornasse a cantora mais idosa a marcar o UK Top 10. Dona de um Hotel, a atriz ainda é responsável pela Doris Day Pet Foundation. Melhores Filmes: “Ardida Como Pimenta” (1953), “O Homem Que Sabia Demais” (1956) e “Confidências à Meia Noite” (1959).



Eva Marie Saint
 (Newark – USA, 4 de Julho de 1924)

Atriz de televisão desde 1947, Eva Marie Saint só chegaria à tela grande em 1954 no premiado filme de Elia Kazan “Sindicato de Ladrões”; Filme que lhe rendeu o Oscar de atriz coadjuvante por sua ótima interpretação ao lado de Marlon Brando. Em 1959 é escolhida para viver a “loura fatal” de Hitchcock no ótimo “Intriga Internacional”. A partir da década de 70, com a diminuição dos bons papéis, Saint volta para a TV onde até o momento realiza diversos trabalhos, incluindo séries, filmes e dublagens. Seu último filme para o cinema foi Superman – O Retorno (2006). Casada desde 1951 com Jeffrey Hayden, Eva Marie Saint vive tranquilamente junto ao esposo nos Estados Unidos. Melhores Filmes: “Sindicato de Ladrões” (1954), “Cárceres Sem Grade” (1957), “Intriga Internacional” (1959).



Lauren Bacall
(Nova York – USA, 16 de Setembro de 1924)
(Faleceu no dia 12 de Agosto de 2014)

Atriz de teatro e modelo de revistas, Bacall foi levada para Hollywood por Howard Hawks para estrelar ao lado do astro Humphrey Bogart o Noir “Uma Aventura na Martinica” (1944). A química entre o casal Bogart/Bacall foi tão intensa que, ambos se casaram em 1945; Juntos estrelaram ótimos trailers noirs como; “A Beira do Abismo” (1946) e “Prisioneiro do Passado” (1947). O casamento durou até a morte de Bogart em 1957. Em 1996 Lauren Bacall é indicada ao Oscar por seu desempenho no sensível “O Espelho Tem Duas Faces” e em 2010 recebe um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra. Até o presente momento o último trabalho da atriz foi o filme de drama “A Forger” (2012). Melhores Filmes: “Uma Aventura na Martinica” (1944), “Paixões em Fúria” (1948) e “Como Agarrar Um Milionário” (1953).



Angela Lansbury
(Londres - Inglaterra, 16 de Outubro de 1925)

Estreou nos cinemas em 1944 no filme “A Meia Luz” de George Cukor. Sua participação no filme lhe rendeu uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante e lhe abriu portas em diversos outros sucessos como; “A Mocidade é Assim Mesmo” (1944) e “O Retrato de Dorian Gray” (1945). Nas décadas seguintes, Lansbury continuou atuando em diversos filmes, tanto como protagonista, como coadjuvante. Atualmente, vem emprestando sua voz em várias dublagens para filmes de animações. Seu último trabalho até o presente momento foi no longa metragem “Os Pinguins do Papai” (2011). Desde 2003, quando ficou viúva, Angela Lansbury vive em Los Angeles, cercada pelos filhos e netos. Melhores Filmes: “O Retrato de Dorian Gray” (1945), “Os Três Mosqueteiros” (1948) e “Sob o Domínio do Mal” (1962).



Julie Harris
(Grosse Point - USA, 2 de Dezembro de 1925)
(Faleceu no dia 24 de agosto de 2013)

Atriz de teatro e TV, Julie Harris estreou nos cinemas em 1952 no filme de Fred Zinnemann “The Member of the Wedding”. Seus maiores sucessos, no entanto, viriam em 1954 com “Vidas Amargas” de Elia Kazan e em 1955 com “I´m Camera” de Henry Cornelius. Nos anos seguintes Harris se dedicou a uma sucessão de trabalhos menores em filmes televisivos, retornando para o cinema em 1962 no filme “Réquiem Para um Lutador” de Ralph Nelson e no clássico do terror “Desafio ao Além” (1963) de Robert Wise. Seu último filme até então foi “The Lightkeepers” (2009). Divorciada desde 1982, atualmente Julie Harris vive ao lado do filho e dos netos em Massachusetts.  Melhores Filmes: “Vidas Amargas” (1954), “Desafio ao Além” (1963) e “O Refúgio Secreto” (1975).



Jerry Lewis
 (Newark – USA, 16 de Março de 1926)

Ator desde os cinco anos de idade, o primeiro longa metragem de Jerry Lewis foi “O Amigo da Onça” (1949) ao lado do ator Dean Martin, com quem formaria uma das maiores duplas do cinema. Durante a primeira metade da década de 50 o sucesso de Lewis/Martin foi sem tamanho, no entanto, em 1956 após constantes desentendimentos a dupla de desfez.  Lewis continuou emplacando grandes sucessos com suas comédias burlescas até atingir seu ápice em “O Professor Aloprado” de 1962. Na década seguinte sua popularidade diminuiu e ele passou a se dedicar as séries de TV. Recentemente ganhou uma cinebiografia que foi exibida com êxito na televisão americana. Casado desde 1983 com SanDee Pitnick, hoje Lewis vive ao lado da esposa, filhos e netos na Califórnia. Melhores Filmes: “O Marujo Foi na Onda” (1952), “O Mensageiro Atrapalhado” (1960) e “O Professor Aloprado” (1962).



Jane Withers
 (Atlanta - USA, 12 de Abril de 1926)

Jane Withers, pelo menos no Brasil, é lembrada somente por sua participação como Vashti Snythe no clássico épico de George Stevens, “Assim Caminha a Humanidade” (1956); No entanto, nos Estados Unidos, Withers é muito conhecida tanto pelo público atual quanto pelo público antigo. Iniciou sua carreira como atriz mirim em pequenas pontas no inicio dos anos 30, como protagonista, sua estreia ocorreu em 1934 ao lado de outra pequena estrela, Shirley Temple, no filme “Olhos Encantadores”. Por toda a década de 30 e 40 Withers brilhou em diversos sucessos destinados ao público infanto-juvenil; Atuou ao lado dos “Dead End Kids” no filme B “No Limiar do Crime” (1940) e no drama de guerra “A Estrela do Norte” (1943). Nas décadas seguintes apareceu em poucos filmes e sua carreira se direcionou mais a televisão, em séries de sucesso como, “Bachelor Father”, “The Munsters”, “The Alfred Hitchcock Hour”, “ABC Weekend Specials”. Atualmente, além de dublar animações de sucessos como “O Corcunda de Notre Dame” (2002), Withers, que se encontra viúva desde 1968, continua participando de diversas séries e programas de televisão. Melhores Filmes: “Olhos Encantadores” (1934), “A Estrela do Norte” (1943) e “Assim Caminha a Humanidade” (1956).



Sidney Poitier 
 (Miami - USA, 20 de Fevereiro de 1927)

Iniciou a carreira como coadjuvante em pequenos filmes e documentários no final dos anos 40. Na década de 50 sua carreira se deslanchou, sendo seus primeiros sucessos; “O Ódio é Cego” (1950), “Sementes de Violência” (1955) e “Sangue Sobre a Terra (1957)”. Em 1963, graças a sua ótima interpretação em “Uma Voz nas Sombras”, Poitier entrou para a história do cinema como o primeiro ator negro a receber o Oscar principal. Em 2002, novamente o ator deixou sua marca na história de Hollywood ao ser o primeiro ator negro a receber o Oscar Honorário. Atualmente, Poitier, que se encontra casado com Joanna Skimkus desde 1976, participa de diversos projetos, entre eles, documentários, filmes e seriados para a televisão. Melhores Filmes: “Uma Voz nas Sombras” (1963), “Ao Mestre Com Carinho” (1966) e “Adivinhe Quem Vem Para o Jantar” (1967).



Gina Lollobrigida
(Subiaco - Itália  4 de Julho de 1927)

Tendo iniciado sua carreira no cinema italiano no final dos anos 40, ao chegar a Hollywood no inicio da década de 50, sua beleza monumental lhe garantiu o título de “A mulher mais Bela do Mundo”. Seu primeiro sucesso na capital do cinema foi no clássico de John Huston “O Diabo Riu Por Último” (1953); Nos anos seguintes, Lollobrigida se dividiu entre o cinema americano, italiano e francês e o seu sucesso era garantido em todos os filmes que estrelava. A partir da década de 70 sua popularidade foi diminuindo e seus trabalhos na televisão se tornaram constantes. Afastada das telas desde o final da década de 90, atualmente Gina se encontra casada com o espanhol Javier Rigau y Rafols, com quem vive desde 1984. Melhores Filmes: “Fanfan La Tulipe” (1952), “Pão, Amor e Fantasia” (1953) e “O Diabo Riu Por Último” (1953).



Shirley Temple
(Santa Mônica – USA,23 de Abril de 1928)
(Faleceu no dia 10 de fevereiro de 2014)

Considerada a atriz mirim mais famosa de todos os tempos, Shirley Temple começou sua carreira aos 4 anos de idade no curta metragem “Kid´s Last Stand” (1932). Durante a década de 30 reinou na Fox e seus filmes foram os campeões de bilheteria, tanto que, recebeu em 1935 um Oscar especial por seus consecutivos sucessos. Entretanto, ao atingir a adolescência e a fase adulta, a carreira de Temple entrou em declínio e seus últimos sucessos no cinema foram; “Desde que Partiste” (1944) e o faroeste de John Ford “Sangue de Heróis” (1948). Sempre envolvida no mundo político, Temple já foi delegada na ONU (1969-1970), embaixadora dos Estados Unidos em Ghana (1974-1976) e na Tchecoslováquia (1989-1992). Atualmente, viúva de Charles Alden Black desde 2005, Shirley Temple vive junto aos filhos e netos em Woodside – Califórnia. Melhores Filmes: “Olhos Encantadores” (1934), “A Mascote do Regimento” (1935), e “A Princesinha” (1939).



Terry Moore
(Glendale – USA, 7 de Janeiro de 1929)

Estreou nos cinemas em pequenas pontas no inicio dos anos 40 e por um longo período seu nome se quer era creditado. Seu primeiro sucesso foi em 1948 na aventura clássica “Monstro de um Mundo Perdido”. Consagrada como uma grande atriz coadjuvante, em 1952, Moore recebe uma indicação ao Oscar de melhor atriz nessa condição por sua interpretação no drama “A Cruz da Minha Vida” e em 1957 alcança seu ápice no sucesso “A Caldeira do Diabo”. Na década de 60, após sua popularidade no cinema diminuir, Terry Moore passa a se dedicar aos trabalhos televisivos; Em agosto de 1984, esbanjando sensualidade, aos 55 anos chama a atenção do mundo ao posar nua para a revista Playboy. Viúva de Jerry Rivers desde 2001, atualmente a atriz segue trabalhando em séries para a TV. Melhores Filmes: “Monstro de um Mundo Perdido” (1948), “A Cruz da Minha Vida” (1952), “A Caldeira do Diabo” (1957).



Vera Miles
 (Boise City – USA, 23 de Agosto de 1929)

Após se tornar a miss Kansas em 1948 e participar de alguns programas na televisão, Vera Miles estreia no cinema através de pequenas pontas em filmes que hoje se encontram esquecidos. Seus primeiros grandes sucessos na telona foram os clássicos “Tarzan e os Selvagens” (1955), e “Rastros de Ódio” (1956). Por toda a década de 50, Miles atuou muito na televisão, sempre em séries de sucesso, incluindo diversos episódios nas séries de Alfred Hitchcock. O relacionamento da atriz com o mestre do suspense foi tão bom que logo ele a colocou ao lado de Henry Fonda no drama “O Homem Errado” (1957). Em 1958, Hitch não esconde sua decepção quando a atriz se nega a estrelar “Um Corpo que Cai” em decorrência de sua gravidez; Todavia, dois anos depois, novamente Hitch a dirige em um dos melhores suspenses de todos os tempos; “Psicose” (1960). Vera Miles continuou na TV ao longo das décadas de 60, 70 e 80 e seu último filme para o cinema foi “Dupla Personalidade” em 1995. Atualmente encontra-se divorciada desde 1971, aposentada e reclusa na Califórnia, onde evita entrevistas e aparições públicas. Melhores Filmes: “Rastros de Ódio” (1956), “Psicose” (1960) e “O Homem Que Matou o Facínora” (1962). 



Continua...

domingo, 16 de junho de 2013

"A Dama das Camélias" (1936)

(Camille) De: George Cukor, Com: Greta Garbo, Robert Taylor, Lionel Barrymore, Elizabeth Allan, Henry Daniell, Lenore Ulric, Laura Hope Crews, EUA – Melodrama – P&B – MGM – 1936.

Rose Alphonsine Plessis (1824-1847) nasceu em uma família pobre no interior da França no inicio do século XIX. Filha de um camponês alcoólatra, Plessis tornou-se órfã de mãe ainda muito cedo, ficando a mercê de seu irresponsável pai até 1838, ano em que decide se mudar para Paris onde passa a trabalhar de costureira. Ambiciosa, bonita e cada vez mais atraindo “pretendentes”, a jovem de pouco mais de quinze anos não demorou muito tempo até se tornar Marie Duplessis, uma das mais famosas cortesãs de luxo da capital Francesa.  Sempre presente nas mais altas rodas de Paris, Duplessis teve entre seus “clientes”, nobres como o Duque de Guiche e o velho Conde de Stackelberg, que por muitos anos foi seu protetor, sustentando-a com todas as pompas e riquezas necessárias.  Após completar vinte anos, Marie Duplessis conhece em um teatro parisiense um jovem que de longe se distinguia de seus habituais clientes; Bonito, refinado e distinto, o rapaz em questão era Alexandre Dumas Filho (1824-1895), filho ilegítimo do renomado escritor frances Alexandre Dumas (1802-1870), autor dos best-sellers publicados em 1844 “O Conde de Monte Cristo” e “Os Três Mosqueteiros” . Dumas Filho é mencionado como “filho ilegítimo” pelo fato de ter sido fruto de um dos diversos casos extraconjugais de Dumas Pai, que só o reconheceu legalmente em 1831. Sua mãe, vale ressaltar  foi uma costureira chamada Marie Catherine Labay e hoje, pouco se sabe sobre ela. 


Olympe, Marguerite e Prudence; Troca de farpas

O amor entre Alexandre Dumas Filho e Marie Duplessis foi sincero e intenso, apesar disso, o romance entre os dois não durou muito tempo. Em 1845, Dumas Filho escreve a Marie propondo o fim do relacionamento, o motivo segundo ele fica evidenciado através de um trecho da referida carta onde o romancista diz: “Minha Cara Marie, não sou rico o suficiente para amá-la como eu gostaria, nem pobre o suficiente para ser amado como você gostaria que eu fosse”. Após ser abandonada por Dumas Filho, Duplessis, já sofrendo de tuberculose, segue para a Inglaterra onde se casa convencionalmente com o Conde Èdouard de Perregaux. O casamento dura pouco tempo, infeliz e cada vez mais enferma, Duplessis volta para a capital francesa e para a antiga vida, até morrer, pobre e sozinha em 03 de fevereiro de 1847, com então vinte e três anos. Ao tomar conhecimento da morte da antiga paixão, Dumas Filho, que nessa época seguindo os passos do pai escrevia seus primeiros romances, inspirou-se em sua própria história de amor para escrever aquela que se tornou sua obra-prima; La Dame Aux Camélias


As Cortesãs "caçam" nos teatros de Paris

Publicado pela primeira vez em 1848 o romance A Dama das Camélias teve sucesso imediato. Além do êxito literário, a obra também fez muito sucesso no teatro de Vaudeville, onde foi adaptada pelo próprio autor em 1852. No ano seguinte, o compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901) baseando-se na história de Marguerite Gautier, compõe a ópera La Traviata, que hoje é considerada por muitos, uma das maiores óperas de todos os tempos. Desde que estreou nos palcos de Paris em 1852, a peça A Dama Das Camélias por muito tempo continuou sendo exibida em diferentes edições ao redor do mundo. Só na Broadway, segundo consta, foram mais de dezesseis versões. As principais atrizes da época (primeiras décadas do século XX) desejavam interpretar Gautier e esse privilégio foi alcançado por nomes como Sarah Bernhardt (1844-1923), Eleonora Duse (1858-1924) e Tallulah Bankhead (1902-1968). Entre todas as versões de A Dama das Camélias para o teatro, sem dúvidas as edições com Sarah Bernhardt foram as mais notórias. A atriz, que também interpretou Marguerite Gautier nos primórdios do cinema, (num filme de 1912) se apresentou em Paris, Londres, Nova York e até mesmo no Rio de Janeiro, para um seleto público que incluía o imperador Dom Pedro II. 


Cartaz da temporada 1905-1906 da peça "Camille" com a atriz Sarah Bernhardt

Além dessa já citada versão cinematográfica de 1912, A Dama Das Camélias também foi levada as telas inúmeras vezes. A primeira delas, em 1907 sob a direção de um certo Viggo Larsen (1880-1957). Ao Todo foram doze filmes, destacando-se entre eles a versão de 1921 com Nazimova (1879-1945) e Valentino (1895-1926) e a de 1936 com Greta Garbo (1905-1990) e Robert Taylor (1911-1969). Garbo, com seu contrato renovado na Metro Goldwyn Mayer desde 1932 e podendo escolher a dedo os diretores e atores com quem trabalhar, vinha de uma sucessão de sucessos que incluía Mata Hari (1931), Grande Hotel (1932), Rainha Christina (1933) e Anna Karenina (1935). A atriz, que desde 1930 não recebia uma indicação sequer ao Oscar, tinha a oportunidade de brilhar como nunca interpretando Marguerite Gautier sob a direção do mestre George Cukor (1899-1983) no novo filme do estúdio das estrelas. A Dama Das Camélias era a grande aposta para o ano. Reunidos, grandes nomes como Cukor, Garbo e Barrymore prometiam mais um arrasa quarteirões. Para o elenco de apoio foram convidados nomes de peso como Robert Taylor, que acabara de brilhar no sucesso Sublime Obsessão (1935) e Henry Daniell (1894-1963) que anos mais tarde se imortalizaria em alguns filmes de Sherlock Holmes, em O Grande Ditador (1940) e O Gavião do Mar (1940). 


Marguerite Gautier e Barão de Varville

A trama original foi mantida, ao contrário do que havia acontecido em 1921 na versão produzida pela extravagante Nazimova. Paris, 1847; Marguerite Gautier (Garbo) é uma famosa e disputada cortesã que, apesar de doente, esta acostumada a viver regaladamente no luxo e na boa vida oferecida por seus amantes. Sempre acompanhada por Prudence (Crews), em uma de suas diversas idas e vindas aos teatros e salões da capital francesa, Gautier conhece o jovem Armand Duval (Taylor), rapaz humilde e distinto que passa a cortejá-la insistentemente com sinceras juras de amor. Diante das investidas, Marguerite acaba se rendendo aos encantos de Armand e os dois iniciam um tórrido romance. No entanto, quando Monsieur Duval (Barrymore) descobre o relacionamento do filho, preocupado com a imagem e com o futuro desse, procura Marguerite e exige que ela o deixe. Marguerite, diante da triste situação, pensando no bem do rapaz, o abandona e volta para os braços do milionário e arrogante Barão de Varville (Daniel).  O melodrama, que estava em seu ápice nos anos trinta, nunca foi tão bem representado. Ao lado de Ninotchka (1939), A Dama Das Camélias é sem dúvidas o melhor filme de Greta Garbo.  Muito bem produzido, a produção da MGM chama a atenção por seu requinte e por sua riqueza de detalhes. A direção de arte e os figurinos é um dos pontos altos do filme, assim como o roteiro, assinado por Zoe Akins (1886-1958), Frances Marion (1888-1973) e James Hilton (1900-1954) que vale ressaltar, foi o autor das obras Horizonte Perdido (1933) e Adeus Mr. Chips (1934), levados às telas em 1937 e 1939 respectivamente.  A trilha sonora, que ficou a cargo de Herbert Stothart (1885-1949), é inesquecível e tocante. Stothart, que já havia musicado grandes sucessos como O Fantasma da Ópera (1935) e Anna Karenina (1935), hoje é mais lembrado por ter sido o vencedor do Oscar de 1940 por seu magnífico trabalho em O Mágico de Oz (1939). As coadjuvantes Laura Hope Crews (Prudence) e Lenore Ulric (Olympe) roubam a cena, trazendo momentos cômicos à pesada e melancólica trama. Para os amantes dos filmes românticos, A Dama das Camélias é essencial. Cinema de alto padrão, puro e original. Obra prima dos bons tempos que não voltam mais.

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A aproximação de Marguerite e Armand
E a Consumação de um verdadeiro romance
Após os desentendimentos, uma tentativa frustrada de reaproximação
Armand e Barão de Varville; Disputas no jogo e no amor
Marguerite cada vez mais enferma é amparada por seu eterno amor
Garbo!
Robert Taylor em foto publicitária
Cartaz original do filme

sábado, 1 de junho de 2013

"Disque M Para Matar" (1954)

(Dial M For Murder) De: Alfred Hitchcock, Com: Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, Anthony Dawson, John Williams, EUA – Suspense – Cor – Warner – 1954. 

A Década de 50 pode ser considerada a década da revolução técnica da indústria cinematográfica. Isso de fato pode ser afirmado se levarmos em consideração as inúmeras transformações que ocorreram nas telas nos anos pós-televisão. Com o advento da telinha, o público, que agora tinha em sua própria casa, e gratuitamente, diversos shows, seriados e até mesmo filmes, passou a frequentar cada vez menos as imensas e luxuosas salas de cinemas. De certa forma poderíamos dizer que é nesse momento que a indústria cinematográfica apresentou seus primeiros sinais de declínio, uma vez que toda a ostentação e magnitude de outrora estava sendo ofuscada por um novo eletroeletrônico. Diante das mesmices e das baixas bilheterias, os principais estúdios de Hollywood procuraram desenvolver novas técnicas para chamar a atenção do público cada vez mais distante. Em 1953, a 20º Century Fox toma a frente e lança o CinemaScope, uma nova lente que transformava a antiga tela quadrada em uma nova e espetacular tela retangular. Pouco mais tarde, outros estúdios também desenvolveriam seus próprios sistemas de lentes especiais, como o Cinerama, VistaVision e Todd A-O. Com isso, o cinema se tornava cada vez maior, e não somente no tamanho das telas de projeções, uma vez que, os filmes também passaram a ser produzidos de forma extravagante. Como exemplo podemos afirmar que, nunca se lançou tantos épicos como nos anos 50. Filmes religiosos como Quo Vadis (1951), David e Betsabá (1951), O Manto Sagrado (1953), Demétrius e os Gladiadores (1954), Os Dez Mandamentos (1956) e Ben-Hur (1959) se tornaram comuns e permaneceram no ápice até meados dos anos 60, quando o gênero finalmente apresentou desgaste. 

Tony e Margot Wendice, casal quase perfeito

Além dos épicos religiosos e dos demais filmes “grandes”, outra significativa mudança no cenário fílmico dos anos 50 foi o aumento das produções usando o processo Technicolor. Levando em consideração que as atrações televisivas eram apresentadas somente em preto e branco, o cinema para se diferenciar, cada vez mais passou a lançar filmes coloridos, abusando explicitamente das vibrantes cores de processos já consagrados, como o já citado Technicolor, e dos recém-criados WarnerColor e Color deLuxe.  Outra forma de atrair o público para as salas de cinema foi à criação do processo de terceira dimensão, o então conhecido 3D. Diversos filmes, principalmente de horror e que hoje se encontram esquecidos, eram lançados com esses efeitos. Praticamente todos os estúdios em Hollywood usaram e abusaram dos recursos de terceira dimensão. Com isso, o público, que não tinha acesso a esses recursos na TV, por sua vez voltava a frequentar as salas de exibições, fazendo com que os estúdios, pelo menos por hora, voltassem a respirar aliviados diante dos constantes sucessos. 

Margot com o amante Mark Halliday

Alfred Hitchcock (1899-1980) apesar de possuir seu próprio estilo de trabalho, como estava sob contrato com a Warner Bros no inicio dos anos 50, deveria obedecer algumas ordens do estúdio de Burbank. Ainda descansando de seu último trabalho, o romântico e perfeito A Tortura do Silêncio (1953), Hitchcock é informado que, diante das diversas mudanças que se encontrava o cenário cinematográfico naquela altura, seu novo filme também deveria ser realizado em 3D e em cores. Até então, vale ressaltar,  somente dois filmes do mestre do suspense haviam sido filmados coloridos; o ótimo Festim Diabólico (1948) e o fracasso Sob o Signo de Capricórnio (1949).  Baseado na peça homônima de grande sucesso do dramaturgo inglês Frederick Knott (1916-2002), o novo trabalho de Hitchcock seria Disque M Para Matar, uma trama magnífica e envolvente que é hoje sem dúvidas, apontado como uma de suas principais obras-primas. Tony Wendice (Milland em uma performance superior a que lhe rendeu o Oscar em 1945) é um ex-tenista profissional que vive em Londres ao lado da rica e infiel esposa Margot Mary Wendice (Kelly em seu primeiro filme com Hitchcock). Após descobrir o caso extraconjugal de Margot com o escritor americano Mark Halliday (Cummings), Tony para se vingar e ao mesmo tempo garantir-se da herança da esposa, chantageia o antigo colega de Universidade, Charles Swann (Dawson), cuja reputação é dúbia, para que esse, com rigor de detalhes assassine Margot em troca de £ 1.000,00. No entanto, quando o planejado não sai como o esperado, Tony põe em prática um plano B que é completamente desestruturado quando passa a ser investigado pelo inspetor Hubbard (Williams em uma interpretação digna de nota). 

O Triangulo amoroso

A riqueza de detalhes, a posição das câmeras estáticas diante dos personagens que caminham até elas, e os objetos em primeiro plano, nos dão a impressão que estamos diante de um palco, assistindo a uma encenação teatral. Os efeitos em 3D (que hoje estão disponíveis e podem ser vistos graças ao relançamento do filme em Blu-Ray) comprovam a excelência do diretor, que soube usar os recursos magistralmente nos momentos certos. A trilha sonora do exímio maestro Dimitri Tiomkim é um dos pontos altos do filme, assim como o ótimo roteiro, assinado pelo dono da peça Frederick Knott, e a ação, completamente psicológica e confinada. Dos filmes dirigidos por Hitchcock, Disque M Para Matar é sem sombra de dúvidas, um dos preferidos desse que vos escreve, ficando atrás somente de Um Corpo Que Cai e a Tortura do Silêncio. Refinado, inteligente e intrigante, a obra-prima do mestre do suspense em nada envelheceu e hoje, mesmo passados quase sessenta anos de seu lançamento, continua a encantar os amantes do bom cinema. O único erro de Alfred Hitchcock quanto a Disque M Para Matar foi o fato de ele ter declarado algum tempo depois da estreia do filme, que aquele teria sido seu pior trabalho, e que o mesmo poderia ter sido dirigido pelo telefone. De fato não tem como concordamos com tal afirmação, uma vez que o filme se mostra excelente em todos os aspectos. Na verdade, nunca saberemos ao certo se o mestre do suspense realmente pensava daquela forma sobre seu filme ou se mais uma vez estava ele somente sendo irônico, pregando uma de suas peças aos jornalistas, com seu negro, porém refinado humor inglês.  

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Margot alerta Mark sobre o sumiço de uma de suas cartas confidenciais
Tony entra em contato com Swann
Que mais tarde visita-o
"Eu vi você"
Um relógio parado
Disque M Para Matar
Swann cumprindo o combinado
Que não sai como o planejado
O Inspetor Hubbard passa a investigar o crime "quase perfeito"
Grace Kelly estreia seu primeiro filme sobre a direção de Hitchcock
O Mestre
Cartaz original do filme


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