domingo, 16 de junho de 2013

"A Dama das Camélias" (1936)

(Camille) De: George Cukor, Com: Greta Garbo, Robert Taylor, Lionel Barrymore, Elizabeth Allan, Henry Daniell, Lenore Ulric, Laura Hope Crews, EUA – Melodrama – P&B – MGM – 1936.

Rose Alphonsine Plessis (1824-1847) nasceu em uma família pobre no interior da França no inicio do século XIX. Filha de um camponês alcoólatra, Plessis tornou-se órfã de mãe ainda muito cedo, ficando a mercê de seu irresponsável pai até 1838, ano em que decide se mudar para Paris onde passa a trabalhar de costureira. Ambiciosa, bonita e cada vez mais atraindo “pretendentes”, a jovem de pouco mais de quinze anos não demorou muito tempo até se tornar Marie Duplessis, uma das mais famosas cortesãs de luxo da capital Francesa.  Sempre presente nas mais altas rodas de Paris, Duplessis teve entre seus “clientes”, nobres como o Duque de Guiche e o velho Conde de Stackelberg, que por muitos anos foi seu protetor, sustentando-a com todas as pompas e riquezas necessárias.  Após completar vinte anos, Marie Duplessis conhece em um teatro parisiense um jovem que de longe se distinguia de seus habituais clientes; Bonito, refinado e distinto, o rapaz em questão era Alexandre Dumas Filho (1824-1895), filho ilegítimo do renomado escritor frances Alexandre Dumas (1802-1870), autor dos best-sellers publicados em 1844 “O Conde de Monte Cristo” e “Os Três Mosqueteiros” . Dumas Filho é mencionado como “filho ilegítimo” pelo fato de ter sido fruto de um dos diversos casos extraconjugais de Dumas Pai, que só o reconheceu legalmente em 1831. Sua mãe, vale ressaltar  foi uma costureira chamada Marie Catherine Labay e hoje, pouco se sabe sobre ela. 


Olympe, Marguerite e Prudence; Troca de farpas

O amor entre Alexandre Dumas Filho e Marie Duplessis foi sincero e intenso, apesar disso, o romance entre os dois não durou muito tempo. Em 1845, Dumas Filho escreve a Marie propondo o fim do relacionamento, o motivo segundo ele fica evidenciado através de um trecho da referida carta onde o romancista diz: “Minha Cara Marie, não sou rico o suficiente para amá-la como eu gostaria, nem pobre o suficiente para ser amado como você gostaria que eu fosse”. Após ser abandonada por Dumas Filho, Duplessis, já sofrendo de tuberculose, segue para a Inglaterra onde se casa convencionalmente com o Conde Èdouard de Perregaux. O casamento dura pouco tempo, infeliz e cada vez mais enferma, Duplessis volta para a capital francesa e para a antiga vida, até morrer, pobre e sozinha em 03 de fevereiro de 1847, com então vinte e três anos. Ao tomar conhecimento da morte da antiga paixão, Dumas Filho, que nessa época seguindo os passos do pai escrevia seus primeiros romances, inspirou-se em sua própria história de amor para escrever aquela que se tornou sua obra-prima; La Dame Aux Camélias


As Cortesãs "caçam" nos teatros de Paris

Publicado pela primeira vez em 1848 o romance A Dama das Camélias teve sucesso imediato. Além do êxito literário, a obra também fez muito sucesso no teatro de Vaudeville, onde foi adaptada pelo próprio autor em 1852. No ano seguinte, o compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901) baseando-se na história de Marguerite Gautier, compõe a ópera La Traviata, que hoje é considerada por muitos, uma das maiores óperas de todos os tempos. Desde que estreou nos palcos de Paris em 1852, a peça A Dama Das Camélias por muito tempo continuou sendo exibida em diferentes edições ao redor do mundo. Só na Broadway, segundo consta, foram mais de dezesseis versões. As principais atrizes da época (primeiras décadas do século XX) desejavam interpretar Gautier e esse privilégio foi alcançado por nomes como Sarah Bernhardt (1844-1923), Eleonora Duse (1858-1924) e Tallulah Bankhead (1902-1968). Entre todas as versões de A Dama das Camélias para o teatro, sem dúvidas as edições com Sarah Bernhardt foram as mais notórias. A atriz, que também interpretou Marguerite Gautier nos primórdios do cinema, (num filme de 1912) se apresentou em Paris, Londres, Nova York e até mesmo no Rio de Janeiro, para um seleto público que incluía o imperador Dom Pedro II. 


Cartaz da temporada 1905-1906 da peça "Camille" com a atriz Sarah Bernhardt

Além dessa já citada versão cinematográfica de 1912, A Dama Das Camélias também foi levada as telas inúmeras vezes. A primeira delas, em 1907 sob a direção de um certo Viggo Larsen (1880-1957). Ao Todo foram doze filmes, destacando-se entre eles a versão de 1921 com Nazimova (1879-1945) e Valentino (1895-1926) e a de 1936 com Greta Garbo (1905-1990) e Robert Taylor (1911-1969). Garbo, com seu contrato renovado na Metro Goldwyn Mayer desde 1932 e podendo escolher a dedo os diretores e atores com quem trabalhar, vinha de uma sucessão de sucessos que incluía Mata Hari (1931), Grande Hotel (1932), Rainha Christina (1933) e Anna Karenina (1935). A atriz, que desde 1930 não recebia uma indicação sequer ao Oscar, tinha a oportunidade de brilhar como nunca interpretando Marguerite Gautier sob a direção do mestre George Cukor (1899-1983) no novo filme do estúdio das estrelas. A Dama Das Camélias era a grande aposta para o ano. Reunidos, grandes nomes como Cukor, Garbo e Barrymore prometiam mais um arrasa quarteirões. Para o elenco de apoio foram convidados nomes de peso como Robert Taylor, que acabara de brilhar no sucesso Sublime Obsessão (1935) e Henry Daniell (1894-1963) que anos mais tarde se imortalizaria em alguns filmes de Sherlock Holmes, em O Grande Ditador (1940) e O Gavião do Mar (1940). 


Marguerite Gautier e Barão de Varville

A trama original foi mantida, ao contrário do que havia acontecido em 1921 na versão produzida pela extravagante Nazimova. Paris, 1847; Marguerite Gautier (Garbo) é uma famosa e disputada cortesã que, apesar de doente, esta acostumada a viver regaladamente no luxo e na boa vida oferecida por seus amantes. Sempre acompanhada por Prudence (Crews), em uma de suas diversas idas e vindas aos teatros e salões da capital francesa, Gautier conhece o jovem Armand Duval (Taylor), rapaz humilde e distinto que passa a cortejá-la insistentemente com sinceras juras de amor. Diante das investidas, Marguerite acaba se rendendo aos encantos de Armand e os dois iniciam um tórrido romance. No entanto, quando Monsieur Duval (Barrymore) descobre o relacionamento do filho, preocupado com a imagem e com o futuro desse, procura Marguerite e exige que ela o deixe. Marguerite, diante da triste situação, pensando no bem do rapaz, o abandona e volta para os braços do milionário e arrogante Barão de Varville (Daniel).  O melodrama, que estava em seu ápice nos anos trinta, nunca foi tão bem representado. Ao lado de Ninotchka (1939), A Dama Das Camélias é sem dúvidas o melhor filme de Greta Garbo.  Muito bem produzido, a produção da MGM chama a atenção por seu requinte e por sua riqueza de detalhes. A direção de arte e os figurinos é um dos pontos altos do filme, assim como o roteiro, assinado por Zoe Akins (1886-1958), Frances Marion (1888-1973) e James Hilton (1900-1954) que vale ressaltar, foi o autor das obras Horizonte Perdido (1933) e Adeus Mr. Chips (1934), levados às telas em 1937 e 1939 respectivamente.  A trilha sonora, que ficou a cargo de Herbert Stothart (1885-1949), é inesquecível e tocante. Stothart, que já havia musicado grandes sucessos como O Fantasma da Ópera (1935) e Anna Karenina (1935), hoje é mais lembrado por ter sido o vencedor do Oscar de 1940 por seu magnífico trabalho em O Mágico de Oz (1939). As coadjuvantes Laura Hope Crews (Prudence) e Lenore Ulric (Olympe) roubam a cena, trazendo momentos cômicos à pesada e melancólica trama. Para os amantes dos filmes românticos, A Dama das Camélias é essencial. Cinema de alto padrão, puro e original. Obra prima dos bons tempos que não voltam mais.

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A aproximação de Marguerite e Armand
E a Consumação de um verdadeiro romance
Após os desentendimentos, uma tentativa frustrada de reaproximação
Armand e Barão de Varville; Disputas no jogo e no amor
Marguerite cada vez mais enferma é amparada por seu eterno amor
Garbo!
Robert Taylor em foto publicitária
Cartaz original do filme

sábado, 1 de junho de 2013

"Disque M Para Matar" (1954)

(Dial M For Murder) De: Alfred Hitchcock, Com: Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, Anthony Dawson, John Williams, EUA – Suspense – Cor – Warner – 1954. 

A Década de 50 pode ser considerada a década da revolução técnica da indústria cinematográfica. Isso de fato pode ser afirmado se levarmos em consideração as inúmeras transformações que ocorreram nas telas nos anos pós-televisão. Com o advento da telinha, o público, que agora tinha em sua própria casa, e gratuitamente, diversos shows, seriados e até mesmo filmes, passou a frequentar cada vez menos as imensas e luxuosas salas de cinemas. De certa forma poderíamos dizer que é nesse momento que a indústria cinematográfica apresentou seus primeiros sinais de declínio, uma vez que toda a ostentação e magnitude de outrora estava sendo ofuscada por um novo eletroeletrônico. Diante das mesmices e das baixas bilheterias, os principais estúdios de Hollywood procuraram desenvolver novas técnicas para chamar a atenção do público cada vez mais distante. Em 1953, a 20º Century Fox toma a frente e lança o CinemaScope, uma nova lente que transformava a antiga tela quadrada em uma nova e espetacular tela retangular. Pouco mais tarde, outros estúdios também desenvolveriam seus próprios sistemas de lentes especiais, como o Cinerama, VistaVision e Todd A-O. Com isso, o cinema se tornava cada vez maior, e não somente no tamanho das telas de projeções, uma vez que, os filmes também passaram a ser produzidos de forma extravagante. Como exemplo podemos afirmar que, nunca se lançou tantos épicos como nos anos 50. Filmes religiosos como Quo Vadis (1951), David e Betsabá (1951), O Manto Sagrado (1953), Demétrius e os Gladiadores (1954), Os Dez Mandamentos (1956) e Ben-Hur (1959) se tornaram comuns e permaneceram no ápice até meados dos anos 60, quando o gênero finalmente apresentou desgaste. 

Tony e Margot Wendice, casal quase perfeito

Além dos épicos religiosos e dos demais filmes “grandes”, outra significativa mudança no cenário fílmico dos anos 50 foi o aumento das produções usando o processo Technicolor. Levando em consideração que as atrações televisivas eram apresentadas somente em preto e branco, o cinema para se diferenciar, cada vez mais passou a lançar filmes coloridos, abusando explicitamente das vibrantes cores de processos já consagrados, como o já citado Technicolor, e dos recém-criados WarnerColor e Color deLuxe.  Outra forma de atrair o público para as salas de cinema foi à criação do processo de terceira dimensão, o então conhecido 3D. Diversos filmes, principalmente de horror e que hoje se encontram esquecidos, eram lançados com esses efeitos. Praticamente todos os estúdios em Hollywood usaram e abusaram dos recursos de terceira dimensão. Com isso, o público, que não tinha acesso a esses recursos na TV, por sua vez voltava a frequentar as salas de exibições, fazendo com que os estúdios, pelo menos por hora, voltassem a respirar aliviados diante dos constantes sucessos. 

Margot com o amante Mark Halliday

Alfred Hitchcock (1899-1980) apesar de possuir seu próprio estilo de trabalho, como estava sob contrato com a Warner Bros no inicio dos anos 50, deveria obedecer algumas ordens do estúdio de Burbank. Ainda descansando de seu último trabalho, o romântico e perfeito A Tortura do Silêncio (1953), Hitchcock é informado que, diante das diversas mudanças que se encontrava o cenário cinematográfico naquela altura, seu novo filme também deveria ser realizado em 3D e em cores. Até então, vale ressaltar,  somente dois filmes do mestre do suspense haviam sido filmados coloridos; o ótimo Festim Diabólico (1948) e o fracasso Sob o Signo de Capricórnio (1949).  Baseado na peça homônima de grande sucesso do dramaturgo inglês Frederick Knott (1916-2002), o novo trabalho de Hitchcock seria Disque M Para Matar, uma trama magnífica e envolvente que é hoje sem dúvidas, apontado como uma de suas principais obras-primas. Tony Wendice (Milland em uma performance superior a que lhe rendeu o Oscar em 1945) é um ex-tenista profissional que vive em Londres ao lado da rica e infiel esposa Margot Mary Wendice (Kelly em seu primeiro filme com Hitchcock). Após descobrir o caso extraconjugal de Margot com o escritor americano Mark Halliday (Cummings), Tony para se vingar e ao mesmo tempo garantir-se da herança da esposa, chantageia o antigo colega de Universidade, Charles Swann (Dawson), cuja reputação é dúbia, para que esse, com rigor de detalhes assassine Margot em troca de £ 1.000,00. No entanto, quando o planejado não sai como o esperado, Tony põe em prática um plano B que é completamente desestruturado quando passa a ser investigado pelo inspetor Hubbard (Williams em uma interpretação digna de nota). 

O Triangulo amoroso

A riqueza de detalhes, a posição das câmeras estáticas diante dos personagens que caminham até elas, e os objetos em primeiro plano, nos dão a impressão que estamos diante de um palco, assistindo a uma encenação teatral. Os efeitos em 3D (que hoje estão disponíveis e podem ser vistos graças ao relançamento do filme em Blu-Ray) comprovam a excelência do diretor, que soube usar os recursos magistralmente nos momentos certos. A trilha sonora do exímio maestro Dimitri Tiomkim é um dos pontos altos do filme, assim como o ótimo roteiro, assinado pelo dono da peça Frederick Knott, e a ação, completamente psicológica e confinada. Dos filmes dirigidos por Hitchcock, Disque M Para Matar é sem sombra de dúvidas, um dos preferidos desse que vos escreve, ficando atrás somente de Um Corpo Que Cai e a Tortura do Silêncio. Refinado, inteligente e intrigante, a obra-prima do mestre do suspense em nada envelheceu e hoje, mesmo passados quase sessenta anos de seu lançamento, continua a encantar os amantes do bom cinema. O único erro de Alfred Hitchcock quanto a Disque M Para Matar foi o fato de ele ter declarado algum tempo depois da estreia do filme, que aquele teria sido seu pior trabalho, e que o mesmo poderia ter sido dirigido pelo telefone. De fato não tem como concordamos com tal afirmação, uma vez que o filme se mostra excelente em todos os aspectos. Na verdade, nunca saberemos ao certo se o mestre do suspense realmente pensava daquela forma sobre seu filme ou se mais uma vez estava ele somente sendo irônico, pregando uma de suas peças aos jornalistas, com seu negro, porém refinado humor inglês.  

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Margot alerta Mark sobre o sumiço de uma de suas cartas confidenciais
Tony entra em contato com Swann
Que mais tarde visita-o
"Eu vi você"
Um relógio parado
Disque M Para Matar
Swann cumprindo o combinado
Que não sai como o planejado
O Inspetor Hubbard passa a investigar o crime "quase perfeito"
Grace Kelly estreia seu primeiro filme sobre a direção de Hitchcock
O Mestre
Cartaz original do filme


sábado, 11 de maio de 2013

"Top-Ten Westerns"


A pedido do amigo e editor do ótimo blog WESTERCINEMANIA, Darci Fonseca, elaborei uma lista com meus dez faroestes preferidos para que o mesmo publicasse em sua página. Para a minha alegria, nessa última semana o meu Top-Ten foi muito bem postado por ele, como vocês podem conferir clicando no link a seguir:  "Top-Ten Western". Diante disso, gostaria de agradecer imensamente ao nobre Darci pela oportunidade que me concedeu, uma vez que, para mim, foi mais que uma honra ter uma lista particular publicada em seu blog que é referência do gênero western no Brasil. Aos leitores do Westercinemania, que acessaram e comentaram o Top-Ten, também deixo os meus sinceros agradecimentos!

Capa muito bem elaborada por Darci Fonseca
em seu ótimo "Westercinemania"

Confiram agora, também no "O Cinema Antigo", a seleção dos meus dez faroestes preferidos!


Elaborar uma listagem, selecionando nossos filmes, músicas ou livros preferidos, apesar de parecer uma tarefa simples e prazerosa é muito mais difícil e complexa do que podemos imaginar. O trabalho, que se torna ainda mais árduo graças às indecisões causadas pela limitação do número de escolhidos, quase sempre gera injustiças, no entanto, se faz necessário que realmente somente os melhores se destaquem, dessa forma, apresento meu TOP – TEN, a lista dos meus dez faroestes preferidos;



10- UMA CIDADE QUE SURGE (Dodge City) De Michael Curtiz, com Errol Flynn, Olivia DeHavilland e Alan Hale, 1939, Primeiro faroeste estrelado pelo astro da Warner Bros. Errol Flynn, Uma Cidade que Surge é um grande filme! Foi o primeiro a reunir todos os clichês existentes em um bom western como os bons mocinhos e os malvados vilões, os típicos saloons com suas dançarinas de can-can, diligências, perseguições e muito bang-bang! Dirigido com maestria por Michael Curtiz o filme permanece entre os grandes clássicos do cinema e é o meu 10º colocado do gênero.




09- ONDE COMEÇA O INFERNO (Rio Bravo) De Howard Hawks, com John Wayne, Dean Martin e Walter Brennan, 1959, Resposta direta de Hawks e Wayne à obra prima (considerada por eles de apelo macartista) Matar ou Morrer de Fred Zinnemann, Onde Começa o Inferno conta a história de John T. Chance, um xerife que ao dispensar a ajuda de vários amigos, conta apenas com o auxilio de um beberrão e de um velhote para enfrentar o temido rancheiro Nathan e seus diversos capangas. Anos mais tarde, Hawks filmaria novamente outros faroestes que podem ser considerados seqüência desse, como El Dorado (1967) e Rio Lobo (1970), no entanto, apesar de serem bons filmes, sequer podem ser comparados com esse que é considerado por muitos, um dos maiores faroestes de todos os tempos e o meu 9º preferido.




08- ERA UMA VEZ NO OESTE (Once Upon a Time in the West) De Sérgio Leone, com Charles Bronson, Henry Fonda e Claudia Cardinale, 1968, O primeiro da trilogia “Era Uma Vez...” de Leone, esse filme que é um marco em vários sentidos, pode-se dizer é um dos maiores e melhores western spaguetti já realizados. Henry Fonda, que até então estava imortalizado no cinema sob o estereótipo do bom moço, aqui vive Frank, um dos mais ardilosos vilões que o faroeste já teve. Charles Bronson, em toda sua carreira, jamais conseguiu se superar e seu personagem, misterioso e enigmático com sua gaita “quase irritante” é sem dúvidas o ponto máximo desse grande sucesso que coloco em 8º lugar no meu ranking. 




07- RIO VERMELHO (Red River) De Howard Hawks, com John Wayne, Montgomery Clift e Walter Brennan, 1948, Howard Hawks, em quase cinqüenta anos de carreira, foi responsável por grandes sucessos em praticamente todos os gêneros que dirigiu, dos dramas aos musicais, do noir aos faroestes, o legado do diretor americano se tornou incontestável. Rio Vermelho, que é um de seus primeiros faroestes, conta a empolgante história da primeira condução de gado pela chamada trilha de Chisholm, do sul do Texas ao Kansas em meados do século XIX. A bela fotografia e as performances do astro John Wayne, do novato Clift e do veterano Brennan fazem desse clássico um filme inesquecível e o meu 7º preferido.




06- O INTRÉPIDO GENERAL CUSTER (They Died With Their Boots On) De Raoul Walsh, com Errol Flynn, Olivia DeHavilland, Charley Grapewin, Anthony Quinn, 1941, A história do General americano George Armstrong Custer, apesar de não ser contada com veracidade, é retratada minuciosamente nessa superprodução de Raoul Walsh. O filme, que pode ser dividido em duas partes (Guerra e Western), aborda a vida do general a partir de seu ingresso na academia militar de West Point; Enfatiza suas glórias na Guerra de Secessão e finalmente o exalta como herói da fronteira, onde se imortalizou na sangrenta batalha de Little Big Horn. Errol Flynn, que esta mais do que a vontade, interpreta com maestria o intrépido General, da mesma forma DeHavilland, que como esposa de Custer convence-nos através de uma interpretação tocante e comovente. Os coadjuvantes, Anthony Quinn, como o líder indígena cavalo louco e Charley Grapewin, como o marrento Califórnia Joe, em diversas seqüências roubam a cena, ajudando a imortalizar ainda mais esse grande filme que ocupa a 6º posição de minha lista. 




05- DANÇA COM LOBOS (Dances With Wolves) De Kevin Costner, com Kevin Costner, Mary McDonnell e Rodney A. Grant, 1990, Apesar de algumas pessoas considerarem Dança com Lobos um filme de aventura e drama, eu particularmente o vejo como um faroeste. Obviamente que nele não temos maléficos vilões empoeirados, lindas garotas dançando can-can e índios assassinos; Na verdade, esse vencedor de sete Oscar nos apresenta os índios de uma forma completamente diferente do que estávamos acostumados a ver desde os primórdios do cinema. Kevin Costner, que aqui estréia na direção, interpreta magistralmente John Dunbar, um oficial da cavalaria americana que após se destacar na guerra de secessão, escolhe a fronteira para ser seu novo posto. Ali, completamente isolado da civilização, Dunbar estabelece paulatinamente uma rica amizade com um lobo solitário, que ele intitula de “duas meias” e mais tarde com toda uma comunidade de índios Sioux. Banhado por uma trilha sonora marcante e uma fotografia inesquecível, Dança com Lobos é, sem dúvidas, um dos melhores filmes dos anos 90 e o meu 5º faroeste preferido.




04- O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (The Man Who Shot Liberty Valence) De John Ford, com John Wayne, James Stewart, Vera Miles e Lee Marvin, 1962, Quando o senador Ransom Stoddard chega acompanhado da esposa Hallie a um lúgubre funeral na pequena cidade de Shinbone, no oeste americano, suas reminiscências são trazidas a tona através de uma longa entrevista concedida a um curioso jornalista local. Sem dúvidas, um dos melhores (e últimos) filmes de John Ford. John Wayne e James Stewart demasiadamente brilham, da mesma forma Lee Marvin, como um dos mais desprezíveis vilões que o velho oeste já viu. Comovente e arrebatador, O Homem que Matou o Facínora é irrefutavelmente um dos melhores faroestes de todos os tempos e o meu 4º favorito do gênero.




03- MATAR OU MORRER (High Noon) De Fred Zinnemann, com Gary Cooper, Grace Kelly, Katy Jurado, Thomas Mitchell e Lloyd Bridges, 1952, É domingo de manhã em Hadleyville, o ex-xerife Will Kane acaba de se casar com Amy e se prepara para sair em lua de mel quando chega até ele um telegrama anunciando que Frank Miller, um bandido que ele condenou anos atrás, esta chegando no trem do meio dia para vingar-se. Aconselhado pelos amigos a fugir da cidade, Kane resiste à ameaça e sai em busca de companhia para enfrentar o temido assassino e seus comparsas, mas para sua decepção, não encontra ninguém capaz de ajudá-lo. Toda a ação do filme é em torno dessa tensão, da busca de Kane por ajuda. Lançado no auge da fase de “Caça as Bruxas”, alguns o consideravam uma verdadeira alegoria ao macarthismo. A declaração mais evidente dessa opinião foi dada por John Wayne em 1971 quando ele disse em uma entrevista que o filme era “a coisa mais antiamericana que ele já tinha visto”. Tendo esses ideais ou não, Matar ou Morrer imortalizou-se como grande clássico do cinema, venceu quatro Oscar; melhor ator (Gary Cooper), melhor montagem, melhor canção original (Do Not Forsake On My Darling) de Tex Ritter e melhor trilha sonora (Dimitri Tiomkim). Indispensável, não me canso de ver e rever esse ótimo faroeste que ocupa a 3º posição dos meus preferidos.




02- OS BRUTOS TAMBÉM AMAM (Shane) De George Stevens, com Alan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin, Brandon DeWilde, 1953, Shane é um cavaleiro errante que encontra abrigo no rancho de Joe Starrett, um colono que vive junto com a esposa Marian e o pequeno filho Joey em uma fazenda no Wyoming. A região, que antes servia somente para a criação de gado, é agora terrivelmente disputada entre os colonos e os poderosos boiadeiros que não os aceitam ali. No entanto, após a chegada de Shane, que traz consigo vestígios de um passado duvidoso, os colonos organizam-se e decidem enfrentar, frente a frente seus inimigos, principalmente o temido pistoleiro Jack Wilson, que a mando do líder dos boiadeiros, Ryker, chega ao vale com a missão de exterminar Starrett e todos os outros colonos “rebeldes”. Indiscutivelmente um dos melhores faroestes do cinema, clássico e comovente o filme não envelheceu e continua até os dias atuais encantando todos os públicos. Repetindo as sábias palavras de um crítico; Os Brutos Também Amam é apenas um faroeste, assim como Romeu e Julieta é apenas uma história de amor. Enfim, não é preciso dizer mais nada, com exceção, que é ele há muitos anos, meu 2º faroeste preferido.




01- RASTROS DE ÓDIO (The Searchers) De John Ford, com John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Natalie Wood e Ward Bond, 1956, Obra - prima atemporal de John Ford, Rastros de Ódio conta a magnífica história de Ethan Edwards, um veterano confederado da guerra de secessão que, após ter a família assassinada pelos selvagens Comanches, segue ao lado do “meio sobrinho” Martin Pawley em busca de Lucy e Debbie, as únicas sobreviventes do massacre. Filmado no cenário preferido do mestre do faroeste, o Monument Valley, no estado americano de Utah, esse clássico, apesar de não ter sido bem recebido em seu lançamento, com o passar dos anos se tornou o maior western de todos os tempos. Com legião de fãs em todo o mundo, Rastros de Ódio apresenta a combinação de todos os ingredientes necessários para um excelente filme do gênero, ou seja, aventura, drama, romance, humor e ação, muita ação no melhor estilo Ford. John Wayne, sem dúvidas tem o melhor desempenho de sua longa carreira, assim como Jeffrey Hunter, que alcançou sua quintessência através de Martin Pawley mesmo tendo interpretado Jesus Cristo cinco anos mais tarde em O Rei dos Reis de Nicholas Ray. A magnífica trilha sonora do mestre Max Steiner e a exímia fotografia de Winton C. Hoch em VistaVision tornam Rastros de Ódio ainda maior. Indispensável e obrigatório em qualquer coleção, The Searchers é sem dúvidas, desde a minha adolescência quando o vi pela primeira vez em VHS, o meu faroeste preferido.


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