sábado, 8 de fevereiro de 2014

"As Aventuras de Robin Hood" (1938)

(The Adventures of Robin Hood) De: Michael Curtiz e William Keighley, Com: Errol Flynn, Olivia DeHavilland, Basil Rathbone, Claude Rains, Alan Hale, Eugene Paullette, Patrick Knowles, Ian Hunter, EUA – Aventura – Cor – Warner Bros. – 1938.  

Desde o lançamento do primeiro longa metragem sonoro de Hollywood - “O Cantor de Jazz” (1927) - e diante de seu imenso sucesso, a Warner Brothers, responsável pela produção do filme, passou a realizar uma sucessão de musicais extravagantes e altamente rentáveis. Todavia, após alguns anos, o novo gênero acabou por cansar o público, e a grande novidade que até então havia revolucionado a indústria fílmica, isto é, o som, também deixou de ser um chamariz ao se tornar algo corriqueiro. Diante disso, uma série de fracassos por pouco não leva à falência o estúdio de Burbank, que imediatamente encontra a solução para a escassez das bilheterias através de um novo, e polêmico, gênero cinematográfico. Durante os cinco primeiros anos da década de 1930, ou seja, no período que sucedeu a grande depressão americana, a Warner Bros, em meio à crise, alcançou notoriedade em Hollywood ao se tornar o primeiro estúdio americano a abordar, através de produções de baixo orçamento, problemas contemporâneos e sociais, como o proibicionismo e em consequência dele, o surgimento e o domínio dos gangsteres. Alma no Lodo (1930) foi o primeiro filme do cinema a retratar a gênese, o ápice e o declínio de gangsteres americanos e estrangeiros. Tão logo, o gênero “caiu” no gosto do público, da mesma forma como poucos anos depois também “caiu” nas garras da censura, fazendo com que novamente o estúdio se reinventasse. Para isso, um gênero que a muito estava esquecido foi trazido de volta; as superproduções swashbuckler, isto é, as superproduções capa-e-espada. 

James Cagney, pra que?

Como já foi dito anteriormente na resenha de “Capitão Blood” [LEIA AQUI], Lionel Barrymore e Robert Donat estrelaram os dois sucessos que trouxeram de volta o gênero swashbuckler, sendo respectivamente “A Ilha do Tesouro” (1934) e "O Conde de Monte Cristo" (1934). No inicio de 1935, como a Warner Bros já possuía os direitos sobre a opereta de 1891 chamada Robin Hood de DeKoven e Smith, o então conselheiro de histórias e figurinos do estúdio, Dwight Franklin, sugere a Jack Warner a produção de um novo filme sobre o herói inglês. Warner por sua vez, interessado no projeto, autoriza a realização do longa, cujo protagonista já havia sido escolhido com unanimidade; James Cagney. Todavia, durante a pré-produção do filme, Cagney se desentende com os produtores Hal Wallis e Jack Warner e acaba se desligando do estúdio; diante disso, e na ausência de outro astro para interpretar Robin, a Warner decide engavetar a trama. Naquele mesmo ano, entretanto, o que nem Jack Warner e qualquer outro executivo do estúdio imaginava, é que um nome completamente desconhecido iria se tornar do dia para a noite o mais novo astro de Hollywood. Errol Flynn, que acabara de estrelar na própria Warner, Capitão Blood, sob a direção de Michael Curtiz, surge como o arquétipo ideal das aventuras swashbucklerDiante do sucesso do ator e de um contrato renovado, finalmente “As Aventuras de Robin Hood” em breve deixaria de ser apenas um projeto para definitivamente se tornar realidade.

Robin Hood e Will Scarlett perambulam pela floresta de Sherwood

Com relação à lenda Robin Hood, a primeira menção de seu nome ocorreu ainda na idade média no poema “Pierce Plowman”, escrito por William Langland em 1377. Desde então, a fama do príncipe dos ladrões só foi crescendo, alcançando dimensões épicas ao longo dos séculos através da literatura, do teatro e do cinema. Os primeiros filmes a contarem a história do herói inglês foram rodados, acreditem, em 1908 e 1912. Em 1913, foi a vez do primeiro longa metragem (com 4 rolos) e em 1922 a primeira superprodução; “Robin Hood de Douglas Fairbanks”. Por muitos anos, a versão de Fairbanks sem dúvidas foi a melhor e a mais notória, entretanto, sua glória durou até 1938, ano em que a Warner Brothers lança As Aventuras de Robin Hood, o mais aclamado capa-e-espada de todos os tempos.  A trama se inicia com o seguinte prólogo: No ano da graça de 1191, quando Ricardo Coração de Leão partiu para expulsar os infiéis da Terra Santa ele entregou a regência de seu reino a seu amigo Longchamps e não a seu traiçoeiro irmão, o Príncipe João. Amargamente ressentido, João desejava que um desastre recaísse sobre o Rei para que ele com a ajuda dos barões normandos pudesse apoderar-se do trono, e então, em um dia de azar para os saxões...” o príncipe João (Rains) toma o poder e passa a aumentar os impostos para falsamente levantar o alto resgate de Ricardo (Hunter), que se encontrava cativo na Áustria. Diante da árdua situação dos saxões, surge Robin de Locksley (Flynn) juntamente com Will Scarlett (Knowles), João Pequeno (Hale) e Frei Tuck (Paullette) dispostos a enfrentar a tirania e a mão pesada do príncipe regente e de seu braço direito, Sir Guy de Gisbourne (Rathbone).  

Robin enfrenta a corte

Essa versão, cujo roteiro foi assinado pelos renomados Norman Reilly Raine e Seton L. Miller, que acabavam de sair respectivamente dos sucessos “A Vida de Emile Zola” (1937) e “Balas ou Votos” (1936) foi a mais fidedigna às verdadeiras baladas medievais e aos demais poemas escritos ao longo dos séculos. Todos os detalhes existentes nos épicos, ou seja, a luta de bastões entre Robin e João Pequeno, o torneio de arco e flecha e o episódio onde frei Tuck carrega Robin nas costas, estão presentes na trama dirigida magistralmente por Keighley e Curtiz.  Olivia De Havilland, que já havia trabalhado ao lado de Flynn em “Capitão Blood” (1935) e “A Carga da Brigada Ligeira” (1936), aqui interpreta Lady Marian, a protegida do príncipe João, prometida de Sir Guy de Gisbourne e o grande amor de Robin Hood. A química entre Flynn e DeHavilland deu tão certo, que nos anos seguintes estrelaram juntos mais cinco sucessos, destacando-se entre eles “Uma Cidade Que Surge” (1939) [LEIA AQUI] e “O Intrépido General Custer” (1941).  Ao final da produção, As Aventuras de Robin Hood custou à Warner, cerca de US $ 2 milhões, um valor altíssimo para os padrões da época; no entanto, ao ser lançado, no dia 14 de Maio de 1938, só nos Estados Unidos o filme arrecadou mais de US $ 4 milhões, se tornado a segunda maior bilheteria do ano. As deslumbrantes cores do Technicolor, a exímia direção de arte de Carl Jules Weyl e a fantástica trilha sonora do mestre Erich Wolfgang Korngold (premiadas com o Oscar) fazem do filme, que é sem dúvidas uma das maiores aventuras de todos os tempos, um espetáculo ainda mais colossal. Completamente atemporal, a versão de 1938 se sobressaí a todas as demais películas já produzidas sobre o príncipe dos ladrões.  Que nos perdoe Douglas Fairbanks, Kevin Costner ou Russell Crowe, mas se Robin Hood realmente existiu, duvido muito de que alguém se parecesse tanto com ele, quanto Errol Flynn. 

✩✩✩✩


Despertando a ira de Príncipe João e Guy de Gisbourne 
Lady Marian é cortejada por Robin
O inesperado banquete
O torneio de arco e flecha
E o participante Robin, disfarçado para não chamar a atenção
 Robin recebendo o prêmio de Marian antes de ser capturado
Após fugir, Robin invade o castelo... 
Enfrenta seu maior inimigo...
Em um duelo de tirar o folego... 
Até vencê-lo...
E libertar seu grande amor
Errol Flynn como Robin Hood
Cartaz original do filme

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

"As Estrelas que se Apagaram em 2013"

O Ano de 2013 sem dúvidas foi um ano de tristes perdas no meio artístico cinematográfico e também televisivo, principalmente no Brasil, onde grandes nomes do cinema e da teledramaturgia saíram definitivamente de cena. Abaixo a homenagem de "O Cinema Antigo" a todas as estrelas que se apagaram em 2013; 


In Memoriam ...


Walmor Chagas
(28/08/1930 - 18/01/2013)



John Kerr
(15/11/1931 - 02/02/2013)



Sara Montiel 
(10/03/1928 - 08/04/2013)



Cleyde Yáconis
(14/11/1923 - 15/04/2013)



Deanna Durbin
(04/12/1921 - 20/04/2013)



Esther Williams 
(08/08/1921 - 06/06/2013)



Sebastião Vasconcelos 
(21/05/1927 - 15/07/2013)



Julie Harris
(02/12/1925 - 24/08/2013)



Cláudio Cavalcante
(24/02/1940 - 29/09/2013)



Giuliano Gemma
(02/09/1938 - 01/10/2013) 



Norma Bengell
(21/02/1935 - 09/10/2013)



Jorge Dória
(12/12/1920 - 06/11/2013)



Paul Walker
(12/09/1973 - 30/11/2013)



Eleanor Parker
(26/06/1922 - 09/12/2013)



Peter O´Toole
(02/08/1932 - 14/12/2013)



Joan Fontaine
(22/10/1917 - 15/12/2013)



R.I.P 

sábado, 5 de outubro de 2013

"Aconteceu Naquela Noite" (1934)

(It Happened One Night) De: Frank Capra, Com Clark Gable, Claudette Colbert, Walter Connolly, Rascoe Karns, Ward Bond, Jameson Thomas, EUA – Comédia Romântica – P&B – Columbia – 1934. 

Em toda a história do cinema, desde seus primórdios, os principais ingredientes responsáveis pelo sucesso de uma produção sempre foram; um bom roteiro, um bom diretor e um bom elenco. Além disso, outro fator que muito contribui com o êxito d´um filme são as parcerias, realizadas tanto entre a equipe técnica quanto entre os interpretes principais. Poderíamos citar como talvez as mais notórias parcerias do cinema, os trabalhos realizados entre; Alfred Hitchcock e Bernard Herrmann, John Ford e John Wayne, Judy Garland e Mickey Rooney, Errol Flynn e Olivia de Havilland, Dean Martin e Jerry Lewis, Steven Spielberg e John Williams e centenas de outros nomes que nos levaria a realizar um post especial sobre eles. Como esse, pelo menos no momento, não é nosso intuito, destacamos exclusivamente, entre essas parcerias de sucesso, o legado de obras primas deixadas pelo diretor Frank Capra (1897-1991) e pelo roteirista Robert Riskin (1897-1955). As primeiras produções realizadas pela dupla ocorreram no inicio da década de 30, mais especificamente em 1931 com o romance A Mulher Miraculosa e a comédia Loura e Sedutora, estreladas respectivamente por Barbara Stanwyck (1907-1990) e Jean Harlow (1911-1937). Nos anos seguintes, Loucura Americana (1932) e Dama Por Um Dia (1933) consolidaram a parceria que durou exatamente vinte anos e mais de dez filmes, entre eles os clássicos Órfãos da Tempestade (1951), Adorável Vagabundo (1941), Do Mundo Nada se Leva (1938), Horizonte Perdido (1937), O Galante Mr. Deeds (1936) e Aconteceu Naquela Noite (1934). 

Ellie Andrews e Peter Warne se esbarram no ônibus

Baseado no romance “Bus Night”, escrito em 1933 pelo jornalista Samuel Hopkins Adams (1871-1958), o filme Aconteceu Naquela Noite pode-se dizer é a maior comédia romântica de todos os tempos. Precursora das comédias Screwball, ou seja, comédias típicas dos anos que sucederam o período da grande depressão americana e que são caracterizadas pelo domínio do personagem feminino sobre o masculino, ritmo acelerado e situações burlescas, o filme de Frank Capra vem, ao longo dos anos, servindo de inspiração para diversos outros sucessos do gênero. Com uma trama bastante singela e repleta de situações corriqueiras, Aconteceu Naquela Noite é o típico, e cada vez mais escasso, tipo de filme que agrada todos os públicos, até mesmo aqueles que não estão habituados a assistirem filmes antigos. Em diversos momentos, ao longo da película, é impossível acreditar que tal produção data exatos oitenta anos. O excelente e ágil roteiro, somado a eximia direção de Capra e as irrepreensíveis interpretações de Gable e Colbert comprovam de fato porque o clássico da Columbia Pictures entrou para a história do cinema como o primeiro filme a receber da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, os cinco principais Oscar; melhor filme, diretor, roteiro, atriz e ator.  Tal feita, desde então, só se repetiu em 1975 com o drama Um Estranho no Ninho, e em 1990 com o suspense O Silencio dos Inocentes. 


Warne,  Ellie e um cochilo inesperado

Ellie Andrews (Colbert) é uma mimada socialite que foge dos cuidados do pai em Miami, para se casar contra a vontade desse em Nova York. Durante a fuga, em uma estação rodoviária, Ellie ocasionalmente toma o mesmo ônibus que o jornalista recém-demitido Peter Warne (Gable), que se torna seu companheiro de assento. A principio, a relação entre os dois é ríspida, uma vez que Warne insiste em provocar a beldade atrapalhada. No entanto, após descobrir através de um anuncio no jornal que Ellie esta sendo procurada pelo pai, Warne dotado de segundas intenções auxilia a moça em toda sua viagem no intuito de escrever uma matéria sobre ela e assim recuperar seu emprego. As peripécias que sucedem durante a viagem não poderiam ser mais hilárias. A antológica cena em que Warne ensina Ellie a pedir carona, além de engraçada é sem dúvidas um dos momentos mais célebres do cinema. Apesar de ser o bisavô de diversas comédias românticas, Aconteceu Naquela Noite nunca foi superado, seu brilho, mesmo tendo passado oitenta anos de seu lançamento, continua exatamente o mesmo, assim como todas as demais obras primas já realizadas.

✩✩✩✩✩


Ellie e sua frustrada tentativa de se mudar de assento 
Durante uma parada, Ellie tem sua bagagem roubada
Porém é auxiliada por Warne que lhe paga uma pernoite
Warne quebrando os paradigmas da mimada Ellie
As Muralhas de Jericó
Depois do ônibus quebrar Warne e Ellie recorrem as caronas
A aproximação de Ellie e Warne se torna cada vez maior
Até o momento que assumem seus verdadeiros sentimentos 
O Vencedor do Oscar Clark Gable
A Vencedora do Oscar Claudette Colbert
Cartaz original do filme
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