sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

"As Estrelas que se Apagaram em 2015"

O ano de 2015 se foi e junto dele também um grande número de astros e estrelas do cinema, teatro e televisão. Tanto no cenário nacional, quanto no estrangeiro, as percas foram imensuráveis. Confira abaixo a homenagem póstuma do blog O Cinema Antigo à todas estrelas que se apagaram no último ano. 


Donna Douglas
(26/09/1932 - 01/01/2015)



Rod  Taylor
(11/01/1930 - 07/01/2015)


Anita Ekberg
(29/09/1931 - 11/01/2015)


Lizabeth Scott
(29/09/1922 - 31/01/2015)



Odete Lara
(17/04/1929 - 04/02/2015)


Louis Jourdan
(19/06/1921 - 14/02/2015)


Leonard Nimoy
(26/03/1931 - 27/02/2015)


Cláudio Marzo
(26/09/1940 - 22/03/2015)


Jayne Meadows
(27/09/1919 - 26/04/2015)


Antônio Abujamra
(15/09/1932 - 28/04/2015)


Elias Gleizer
(04/01/ 1934 - 16/05/2015)


Christopher Lee
(27/05/1922 - 07/06/2015)


Omar Sharif
(10/04/1932 - 10/07/2015)


Wes Craven
(02/08/1939 - 30/08/2015)


Beth Lago
(24/06/1955 - 13/09/2015)


Carlos Manga
(06/01/1928 - 17/09/2015)


Yoná Magalhães
(07/08/1935 - 20/10/2015)


Maureen O'Hara
(17/08/1920 - 24/10/2015)


Marília Pêra
(22/01/1943 - 05/12/2015)


Descansem em paz...

sábado, 22 de agosto de 2015

"Beco Sem Saída" (1937)

(Dead End) De: William Wyler, Com: Sylvia Sidney, Joel McCrea, Humphrey Bogart, Wendy Barrie, Claire Trevor, Allen Jenkins, Marjorie Main, Billy Halop, Huntz Hall, Bobby Jordan, Leo Gorcey, Gabriel Dell, Bernard Punsly, Ward Bond. EUA – Policial – P&B – Samuel Goldwyn – 1937.

Lá se vão mais de oitenta anos desde que o dramaturgo Sidney Kingsley (1906-1995) recebeu o prêmio Pulitzer por seu primeiro trabalho; a peça Men in White (1934), dirigida por Lee Strasberg (1901-1982). Kingsley, apesar de atualmente ser pouco lembrado, foi responsável por grandes sucessos no teatro estadunidense; suas peças, que na maioria das vezes abordavam dramas policiais e sociais, eram sinônimo de qualidade e apreciação. Além da premiada e já citada Men in White, destacam-se também entre os êxitos de Kingsley; Dead End (1935) e Detective Story (1949), dois sucessos que transcenderam os palcos e se tornaram clássicos no cinema. Samuel Goldwyn (1879-1974) foi o grande responsável pela adaptação de Dead End, que no Brasil recebeu o título de Beco Sem Saída.  Goldwyn, que até então se dedicara a produzir melodramas e comédias, ainda não se aventurara no gênero gangsters, que dava tão bons resultados à Warner. Ao ver Dead End, Goldwyn compreendeu que naquela peça havia material para fazer um filme que reunia dois elementos lucrativos: o realismo social de uma rua de Nova York e a denúncia da pobreza e da miséria como motor da delinquência juvenil. 

Beco Sem Saída: Realismo social e denúncia de pobreza

A principio, Goldwyn queria que o roteiro fosse escrito por Sidney Howard (1891-1939), no entanto, esse já estava comprometido com a adaptação de E o Vento Levou para David O´Selznick (1902-1965). Dessa forma, o roteiro ficou sob a responsabilidade da ótima Lillian Hellman (1905-1984), que pouco antes havia adaptado sua polemica peça The Children´s Hour para as telas. Hellman é muito lembrada também por ter escrito os ótimos; Pérfida (1941) e A Estrela do Norte (1943), esse último alias, uma explicita propaganda antinazista em pleno auge da segunda guerra mundial. Hellman recebeu de Goldwyn uma única recomendação; tornar o texto do filme mais “leve” que o original. Como sabemos, o código hays já estava reinando no cinema americano, portanto, qualquer menção de doenças venéreas, prostitutas ou amantes, presentes na peça, deveria ser completamente eliminada nas telas.  A direção de Beco Sem Saída ficou a cargo de William Wyler (1902-1981), que na altura estava sob contrato com Goldwyn e vinha dos sucessos Fogo de Outono e Infâmia, ambos de 1936. A parceria entre Goldwyn e Wyler, que durou quase dez anos, rendeu sete magníficos filmes, quase sempre com a fotografia do exímio Gregg Toland (1904-1948) e os roteiros de Lillian Hellman. Entre eles, além dos já citados Fogo de Outono e Infâmia destacam-se os clássicos: O Morro dos Ventos Uivantes (1939), O Galante Aventureiro (1940) e Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946).

Todas as ruas de Nova York terminam em um rio

Formar o elenco não foi difícil. A atriz principal seria Sylvia Sidney (1910-1999), que se especializou em interpretar sempre a boa moça, a fiel esposa, humilde e trabalhadora. O “mocinho” seria Joel McCrea (1905-1990), ator fixo de Goldwyn. Humphrey Bogart (1899-1957) fora escalado após James Cagney (1899-1986) ter sido negado pela Warner e após George Raft (1901-1980) dizer não. Goldwyn apostou em Bogart após vê-lo como um gângster ideal em A Floresta Petrificada no ano anterior. Os únicos que atuaram na peça e repetiram o papel nas telas, interpretando os jovens delinquentes, foram Billy Halop (1920-1976), Huntz Hall (1920-1999), Bobby Jordan (1923-1965), Leo Gorcey (1917-1969) Gabriel Dell (1919-1988) e Bernard Punsly (1923-2004). O sucesso da peça, assim como o sucesso do filme, foi tanto que imortalizou os jovens como a gangue “Dead End Kids”. No ano seguinte, o grupo foi contratado pela Warner, onde estrelaram uma série de filmes de gângsters que incluem; Anjos de Cara Suja (1938), No Limiar do Crime (1939), Tornaram-me um Criminoso (1939) e Sucursal do Inferno (1939). 

The "Dead End Kids"

Beco Sem Saída se inicia com o seguinte prólogo; “Todas as ruas de Nova York terminam em um rio; durante muitos anos, as casas dos mais pobres cobriam as sujas margens do East River. Quando os ricos descobriram a bela paisagem que oferecia o tráfego fluvial, construíram suas casas voltadas para o leste, agora, as varandas dos grandes edifícios dão para as janelas dos edifícios pobres.” Após essa introdução, a câmera de Toland, que vale lembrar, foi o responsável pelas fotografias de Os Miseráveis (1935), Vinhas da Ira (1940) Cidadão Kane (1941) entre tantos outros, desce do alto dos imponentes edifícios de Manhattan para os becos sem saída que vão dar nos cais da cidade. Nesses becos vive uma gangue de garotos (Dead End Kids) para quem não existe a lei e nem limites, e é para esse beco que regressa, após anos distante, o gangster Martin “Baby Face” (Bogart) e seu comparsa Hunk (Jenkins). Martin volta ao beco no intuito de rever sua velha mãe (Main) e Francey (Trevor), sua antiga e inesquecível paixão. Entretanto, após ser desprezado pela mãe e se decepcionar com a ex namorada, Martin encontra problemas com o amigo de outrora Dave (McCrea), que o reconhece mesmo após uma cirurgia plástica.

Dave, Drina e Tommy

Beco sem Saída estreou nos Estados Unidos no dia 24 de agosto de 1937 e foi um sucesso de critica e de público. Na 10º cerimônia do Oscar, em 1938, o filme concorreu aos prêmios de melhor filme, melhor atriz coadjuvante (Trevor em uma atuação de pouco mais de cinco minutos), melhor fotografia e melhor cenografia, para os excelentes cenários de Richard Day (1896-1972), que anos mais tarde contribuiu significativamente para a história do cinema construindo os brilhantes e incrivelmente reais cenários de Como Era Verde Meu Vale (1941), Uma Rua Chamada Pecado (1951) e Sindicato de Ladrões (1954). Infelizmente o filme de Wyler não venceu nenhum prêmio, pois a concorrência estava afiada naquele ano, cujo melhor filme foi A Vida de Emile Zola, da Warner. Além dos garotos que se imortalizaram como os Dead End Kids e os incríveis cenários de Richard Day, merecem destaque também nesse excelente filme de gângster a sensível participação de Marjorie Main (1890-1975) como a sofrida mãe de Martin e a tocante trilha sonora do mestre Alfred Newman (1901-1970) que sem dúvidas tornaram o filme ainda mais célebre.  

✩✩✩✩

Os delinquentes do beco
Martin recebe o desprezo da mãe
e sofre uma amarga decepção ao reencontrar a antiga paixão
Drina aconselhando o irmão rebelde
Drina e Tommy família desajustada
Sylvia Sidney em foto publicitária
Claire Trevor, coadjuvante de peso
Joel McCrea, astro nº 01 de Samuel Goldwyn
Cartaz original do filme

domingo, 12 de julho de 2015

"Janela Indiscreta" (1954)

(Rear Window) De: Alfred Hitchcock, Com: James Stewart, Grace Kelly, Wendell Corey, Thelma Ritter, Raymond Burr, Georgine Darcy, Judith Evelyn, Ross Bagdasarian. EUA – Suspense – Cor – Paramount – 1954.

De acordo com o dicionário da língua portuguesa, obra-prima significa “obra de grande perfeição, notável em determinado gênero; o melhor trabalho de um escritor ou um artista; obra-mestra”. Apesar de Rebeca a Mulher Inesquecível e A Sombra de Uma Dúvida ser da década de 1940 e Psicose  e Os Pássaros ser da década de 1960, foi na década de 1950 que Alfred Hitchcock (1899-1980) realizou sua sucessão de obras primas, sendo essas; Pacto Sinistro (1951), A Tortura do Silêncio (1953), Disque M Para Matar (1954), Ladrão de Casaca (1955), O Homem Que Sabia Demais (1956), O Homem Errado (1957), Um Corpo que Cai (1958), Intriga Internacional (1959) e claro, Janela Indiscreta (1954). Aclamado pela crítica e principalmente pelo público, Janela Indiscreta é um dos filmes mais famosos do mestre do suspense. Segundo o cineasta Curtis Hanson, se alguém perguntasse como são os filmes de Hitchcock, alguém que não os conhecesse, podia-se mostrar Janela Indiscreta, e de certa forma abranger todo Hitchcock, afinal, em Janela Indiscreta se vê imediatamente todo o seu brilhantismo técnico, sua capacidade de contar uma história de forma cativante e única, seu senso de humor, o voyeurismo, a sexualidade, enfim, tudo que é típico no exímio diretor inglês.

O Voyeurismo de Jeffries

A história de Janela Indiscreta nasceu em 1942, quando Cornell Woolrich (1903-1968) escreveu o conto It Had to Be Murder. Woolrich, um célebre novelista de dramas policiais, escrevia desde a segunda metade da década de 1920, todavia, foi só no inicio dos anos 1940, com o advento dos filmes que hoje classificamos como noir, que seu nome tornou-se notório na indústria fílmica. Baseados em seus romances, destacam-se os seguintes filmes; O Homem Leopardo (1943), A Dama Fantasma (1944), Morte ao Amanhecer (1946), Anjo Diabólico (1946) e Casei-me com um Morto (1950). Em 1954, ao ingressar na Paramount, Hitchcock uniu-se ao excelente roteirista John Michael Hays (1919-2008), que ficou responsável por adaptar e enriquecer o conto de Woolrich, que no original só abordava a trama principal entre o fotógrafo incapacitado e o suposto vizinho assassino, e a renomada figurinista Edith Head (1897-1981) que tinha como tarefa deixar Grace Kelly (1929-1982) ainda mais deslumbrante. Assim como o cinegrafista Robert Burks (1908-1968), John Michael Hays e Edith Head, ao longo dos anos, também contribuíram significativamente com o sucesso de diversos filmes de Hitchcock. No que se diz respeito ao elenco, James Stewart (1908-1997) e Grace Kelly foram escolhidos a dedo pelo diretor para interpretar o casal central. Stewart, que era um dos atores preferidos de Hitchcock, já havia trabalhado com esse em Festim Diabólico (1948), e Kelly em Disque M Para Matar, também em 1954. Do elenco de apoio destacam-se, a sempre ótima Thelma Ritter (1902-1969), como a enfermeira Stella, e o sempre mal encarado Raymond Burr (1917-1993), como o vizinho misterioso Lars Thorwald.

O Voyeurismo de Stella e Lisa 

Janela Indiscreta já se inicia com um toque de mestre, isto é, uma introdução digna de Hitchcock. Sem dizer uma única palavra, apenas com o movimento da câmera, em poucos segundos somos apresentados a L. B Jeffries (Stewart), um fotógrafo profissional que graças a um acidente de trabalho encontra-se provisoriamente preso a uma cadeira de rodas no seu apartamento em Nova York. Como não tem nada para fazer, a não ser jogar conversa fora com sua enfermeira Stella (Ritter), Jeff, provido de uma ótima lente teleobjetiva, passa a maior parte do tempo bisbilhotando a vida de seus vizinhos, entre eles, uma dançarina que não faz outra coisa a não ser ensaiar diversos passos e que ele apelida de senhorita Torso (Darcy); uma mulher solitária que sonha encontrar seu pretendente e que Jeff e Stella apelidam de Coração Solitário (Evelyn), um pianista (Bagdasarian) que insiste arduamente em uma nova composição e um misterioso vendedor, Lars Thorwald (Burr), que vive em crise com a sua acamada esposa. Numa noite chuvosa, após despertar com um grito, Jeffries passa a desconfiar do comportamento de Thorwald, principalmente após notar o desaparecimento de sua esposa. Com a ajuda da namorada Lisa (Kelly), e de sua enfermeira Stella, Jeffries tenta de todo modo convencer o tenente e amigo Doyle (Corey) a investigar o caso, que segundo ele, se trata de assassinato.

"Eu farejo problemas nesse apartamento"

Hitchcock sem sombra de dúvidas consegue a proeza de prender a atenção do espectador do começo ao fim do filme. Foi a sua maestria em dirigir minuciosamente a trama e as incríveis performances de todo o elenco que fizeram Janela Indiscreta se tornar o clássico absoluto que é. Sem deixar de mencionar, outros pontos altos do filme são; a sua perfeita trilha sonora (indicada ao Oscar), assinada por Franz Waxman (1906-1967) e a perfeita direção de arte, assinada por J. McMilan Johnson (1912-1990) e Hal Pereira (1905-1983). Apesar de Waxman ter composto a bela Lisa e o esfuziante Jazz da abertura, são os demais sons naturais presente na trama que nos chamam a atenção. Ao longo do filme se ouve desde canções populares e contemporâneas como; Monalisa de Nat King Cole, To See You Is to Love You de Bing Crosby e That´s Amore de Dean Martin a óperas como; M´appari Tutt´amor de Friedrich Von Flotow´s. Quanto à direção de arte, assim como em outros filmes de Hitchcock, vide Um Barco e Nove Destinos (1944) e os já citados Festim Diabólico (1948) e Disque M Para Matar (1954), toda a ação de Janela Indiscreta está confinada em um único cenário, e cá entre nós, que cenário! Por muito tempo foi um dos maiores sets já criados nos pequenos estúdios da Paramount. A autenticidade dos fundos do complexo de apartamentos é tão incrível que fica difícil acreditar que foi tudo construído em estúdio. Janela Indiscreta estreou no dia 04 de agosto de 1954 em Nova York e seu sucesso foi imediato, tanto entre a crítica e o público. Ao todo, o filme custou à Paramount cerca de U$ 1 milhão, e arrecadou mais de U$ 36 milhões só nos Estados Unidos. Anos mais tarde Jimmy Stewart assumiu que Rear Window era seu filme preferido. Também está entre os preferidos do AFI, onde ocupa a 42º posição entre os 100 melhores filmes da história. Em 1998, Christopher Reeve (1952-2004) e Daryl Hannah estrearam um remake de Janela Indiscreta para a TV americana, sobre esse, bom, sobre esse é melhor nem falar nada.


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Senhorita Torso
O compositor e sua ilustre visita
Os recém casados
Senhorita coração solitário
Os Thorwald
Após Lisa acreditar na tese de Jeffries
Eles tentam convencer o tenente Doyle
Jeffries e Lisa
Kelly e Stewart em foto publicitária
Jimmy Stewart, o preferido de Hitch
Grace Kelly, a preferida de Hitch
Cartaz original do filme
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