sexta-feira, 1 de julho de 2016

Estrela do cinema antigo, Olivia De Havilland completa 100 anos de vida!

Vencedora de dois prêmios Oscar por sua atuação nos melodramas Só Resta uma Lágrima (1946) e Tarde Demais (1949), Olivia Mary de Havilland completa hoje, dia 01 de julho de 2016, 100 anos de vida! Filha da também atriz Lillian Fontaine e do advogado Walter Augustus de Havilland, Olivia nasceu em Tóquio, onde seus pais, naturais da Inglaterra, residiam a trabalho. Em 1919 a família decide se mudar para a Califórnia e não demorou muito para que a pequena Olivia, influenciada por sua mãe, ingressasse na vida artística. Sua grande oportunidade surgiu no verão de 1934, quando teve a oportunidade de substituir Gloria Stuart (1910-2010) na peça Sonho de Uma Noite de Verão sob a direção de Max Reinhardt (1873-1943). Sua performance, como Hermínia, foi tão bem recebida que lhe resultou um contrato com a toda poderosa Warner Bros, que no ano seguinte adaptou e levou as telas a obra de Shakespeare. O sucesso de Olivia De Havilland foi imediato, no mesmo ano atuou pela primeira vez ao lado de Errol Flynn (1909-1959) na aventura Capitão Blood, de Michael Curtiz (1886-1962). A química entre os dois foi tão grande que, ao longo de seis anos brilharam juntos em mais sete filmes, destacando-se entre eles A Carga da Brigada Ligeira (1936), o colossal As Aventuras de Robin Hood (1938), o western Uma Cidade que Surge (1939) e o derradeiro O Intrépido General Custer (1941). 

Olivia De Havilland no frescor de sua mocidade
Um dos pontos altos da carreira de De Havilland, foi sem dúvidas sua interpretação da doce e frágil Melanie Hamilton no arrasa quarteirão E o Vento Levou (1939) de Victor Fleming (1889-1949). Até hoje é seu papel mais citado, além dos que lhe renderam o Oscar, obviamente. Não obstante, merece destaque também seu excelente trabalho no suspense Espelhos D´alma (1946) de Robert Siodmak (1900-1973) e no pesado A Cova da Serpente (1948) de Anatole Litvak (1902-1974). Dona de uma carreira rica, premiada e reconhecida internacionalmente, Olivia De Havilland como qualquer outra mulher teve altos e baixos em sua vida pessoal. Casou-se duas vezes, se divorciou, sentiu a amargura de perder um filho, e mais recentemente, em 2013, sua irmã, a atriz Joan Fontaine (1917-2013), cujo relacionamento sempre fora tumultuado e marcado por rivalidades e ressentimentos. Atualmente, Olivia De Havilland vive em Paris, cercada pelo carinho e amor dos familiares e dos fãs ao redor do mundo. Além do Oscar e de diversos outros prêmios, a atriz possui também uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, que recebeu em 1960 graças a sua contribuição à indústria cinematográfica, a Medalha Nacional das Artes, concedida pelo presidente americano George W. Bush em 2008, e também a Legião de Honra, com a qual foi condecorada pelo presidente francês Nicolas Sarkozy em 2010, aos 94 anos de idade. 
Feliz Aniversário Olivia!
Happy Birthday Olivia!

Olivia De Havilland hoje; distinta elegante e mais linda do que nunca

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

"As Estrelas que se Apagaram em 2015"

O ano de 2015 se foi e junto dele também um grande número de astros e estrelas do cinema, teatro e televisão. Tanto no cenário nacional, quanto no estrangeiro, as percas foram imensuráveis. Confira abaixo a homenagem póstuma do blog O Cinema Antigo à todas estrelas que se apagaram no último ano. 


Donna Douglas
(26/09/1932 - 01/01/2015)



Rod  Taylor
(11/01/1930 - 07/01/2015)


Anita Ekberg
(29/09/1931 - 11/01/2015)


Lizabeth Scott
(29/09/1922 - 31/01/2015)



Odete Lara
(17/04/1929 - 04/02/2015)


Louis Jourdan
(19/06/1921 - 14/02/2015)


Leonard Nimoy
(26/03/1931 - 27/02/2015)


Cláudio Marzo
(26/09/1940 - 22/03/2015)


Jayne Meadows
(27/09/1919 - 26/04/2015)


Antônio Abujamra
(15/09/1932 - 28/04/2015)


Elias Gleizer
(04/01/ 1934 - 16/05/2015)


Christopher Lee
(27/05/1922 - 07/06/2015)


Omar Sharif
(10/04/1932 - 10/07/2015)


Wes Craven
(02/08/1939 - 30/08/2015)


Beth Lago
(24/06/1955 - 13/09/2015)


Carlos Manga
(06/01/1928 - 17/09/2015)


Yoná Magalhães
(07/08/1935 - 20/10/2015)


Maureen O'Hara
(17/08/1920 - 24/10/2015)


Marília Pêra
(22/01/1943 - 05/12/2015)


Descansem em paz...

sábado, 22 de agosto de 2015

"Beco Sem Saída" (1937)

(Dead End) De: William Wyler, Com: Sylvia Sidney, Joel McCrea, Humphrey Bogart, Wendy Barrie, Claire Trevor, Allen Jenkins, Marjorie Main, Billy Halop, Huntz Hall, Bobby Jordan, Leo Gorcey, Gabriel Dell, Bernard Punsly, Ward Bond. EUA – Policial – P&B – Samuel Goldwyn – 1937.

Lá se vão mais de oitenta anos desde que o dramaturgo Sidney Kingsley (1906-1995) recebeu o prêmio Pulitzer por seu primeiro trabalho; a peça Men in White (1934), dirigida por Lee Strasberg (1901-1982). Kingsley, apesar de atualmente ser pouco lembrado, foi responsável por grandes sucessos no teatro estadunidense; suas peças, que na maioria das vezes abordavam dramas policiais e sociais, eram sinônimo de qualidade e apreciação. Além da premiada e já citada Men in White, destacam-se também entre os êxitos de Kingsley; Dead End (1935) e Detective Story (1949), dois sucessos que transcenderam os palcos e se tornaram clássicos no cinema. Samuel Goldwyn (1879-1974) foi o grande responsável pela adaptação de Dead End, que no Brasil recebeu o título de Beco Sem Saída.  Goldwyn, que até então se dedicara a produzir melodramas e comédias, ainda não se aventurara no gênero gangsters, que dava tão bons resultados à Warner. Ao ver Dead End, Goldwyn compreendeu que naquela peça havia material para fazer um filme que reunia dois elementos lucrativos: o realismo social de uma rua de Nova York e a denúncia da pobreza e da miséria como motor da delinquência juvenil. 

Beco Sem Saída: Realismo social e denúncia de pobreza

A principio, Goldwyn queria que o roteiro fosse escrito por Sidney Howard (1891-1939), no entanto, esse já estava comprometido com a adaptação de E o Vento Levou para David O´Selznick (1902-1965). Dessa forma, o roteiro ficou sob a responsabilidade da ótima Lillian Hellman (1905-1984), que pouco antes havia adaptado sua polemica peça The Children´s Hour para as telas. Hellman é muito lembrada também por ter escrito os ótimos; Pérfida (1941) e A Estrela do Norte (1943), esse último alias, uma explicita propaganda antinazista em pleno auge da segunda guerra mundial. Hellman recebeu de Goldwyn uma única recomendação; tornar o texto do filme mais “leve” que o original. Como sabemos, o código hays já estava reinando no cinema americano, portanto, qualquer menção de doenças venéreas, prostitutas ou amantes, presentes na peça, deveria ser completamente eliminada nas telas.  A direção de Beco Sem Saída ficou a cargo de William Wyler (1902-1981), que na altura estava sob contrato com Goldwyn e vinha dos sucessos Fogo de Outono e Infâmia, ambos de 1936. A parceria entre Goldwyn e Wyler, que durou quase dez anos, rendeu sete magníficos filmes, quase sempre com a fotografia do exímio Gregg Toland (1904-1948) e os roteiros de Lillian Hellman. Entre eles, além dos já citados Fogo de Outono e Infâmia destacam-se os clássicos: O Morro dos Ventos Uivantes (1939), O Galante Aventureiro (1940) e Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946).

Todas as ruas de Nova York terminam em um rio

Formar o elenco não foi difícil. A atriz principal seria Sylvia Sidney (1910-1999), que se especializou em interpretar sempre a boa moça, a fiel esposa, humilde e trabalhadora. O “mocinho” seria Joel McCrea (1905-1990), ator fixo de Goldwyn. Humphrey Bogart (1899-1957) fora escalado após James Cagney (1899-1986) ter sido negado pela Warner e após George Raft (1901-1980) dizer não. Goldwyn apostou em Bogart após vê-lo como um gângster ideal em A Floresta Petrificada no ano anterior. Os únicos que atuaram na peça e repetiram o papel nas telas, interpretando os jovens delinquentes, foram Billy Halop (1920-1976), Huntz Hall (1920-1999), Bobby Jordan (1923-1965), Leo Gorcey (1917-1969) Gabriel Dell (1919-1988) e Bernard Punsly (1923-2004). O sucesso da peça, assim como o sucesso do filme, foi tanto que imortalizou os jovens como a gangue “Dead End Kids”. No ano seguinte, o grupo foi contratado pela Warner, onde estrelaram uma série de filmes de gângsters que incluem; Anjos de Cara Suja (1938), No Limiar do Crime (1939), Tornaram-me um Criminoso (1939) e Sucursal do Inferno (1939). 

The "Dead End Kids"

Beco Sem Saída se inicia com o seguinte prólogo; “Todas as ruas de Nova York terminam em um rio; durante muitos anos, as casas dos mais pobres cobriam as sujas margens do East River. Quando os ricos descobriram a bela paisagem que oferecia o tráfego fluvial, construíram suas casas voltadas para o leste, agora, as varandas dos grandes edifícios dão para as janelas dos edifícios pobres.” Após essa introdução, a câmera de Toland, que vale lembrar, foi o responsável pelas fotografias de Os Miseráveis (1935), Vinhas da Ira (1940) Cidadão Kane (1941) entre tantos outros, desce do alto dos imponentes edifícios de Manhattan para os becos sem saída que vão dar nos cais da cidade. Nesses becos vive uma gangue de garotos (Dead End Kids) para quem não existe a lei e nem limites, e é para esse beco que regressa, após anos distante, o gangster Martin “Baby Face” (Bogart) e seu comparsa Hunk (Jenkins). Martin volta ao beco no intuito de rever sua velha mãe (Main) e Francey (Trevor), sua antiga e inesquecível paixão. Entretanto, após ser desprezado pela mãe e se decepcionar com a ex namorada, Martin encontra problemas com o amigo de outrora Dave (McCrea), que o reconhece mesmo após uma cirurgia plástica.

Dave, Drina e Tommy

Beco sem Saída estreou nos Estados Unidos no dia 24 de agosto de 1937 e foi um sucesso de critica e de público. Na 10º cerimônia do Oscar, em 1938, o filme concorreu aos prêmios de melhor filme, melhor atriz coadjuvante (Trevor em uma atuação de pouco mais de cinco minutos), melhor fotografia e melhor cenografia, para os excelentes cenários de Richard Day (1896-1972), que anos mais tarde contribuiu significativamente para a história do cinema construindo os brilhantes e incrivelmente reais cenários de Como Era Verde Meu Vale (1941), Uma Rua Chamada Pecado (1951) e Sindicato de Ladrões (1954). Infelizmente o filme de Wyler não venceu nenhum prêmio, pois a concorrência estava afiada naquele ano, cujo melhor filme foi A Vida de Emile Zola, da Warner. Além dos garotos que se imortalizaram como os Dead End Kids e os incríveis cenários de Richard Day, merecem destaque também nesse excelente filme de gângster a sensível participação de Marjorie Main (1890-1975) como a sofrida mãe de Martin e a tocante trilha sonora do mestre Alfred Newman (1901-1970) que sem dúvidas tornaram o filme ainda mais célebre.  

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Os delinquentes do beco
Martin recebe o desprezo da mãe
e sofre uma amarga decepção ao reencontrar a antiga paixão
Drina aconselhando o irmão rebelde
Drina e Tommy família desajustada
Sylvia Sidney em foto publicitária
Claire Trevor, coadjuvante de peso
Joel McCrea, astro nº 01 de Samuel Goldwyn
Cartaz original do filme
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