quarta-feira, 21 de março de 2012

"A Trágica Existência de Susan Hayward"

Há exatos 37 anos Hollywood perdia parte de seu brilho, morria Susan Hayward

Natural de Nova York, Susan Hayward é considerada uma das atrizes mais bonitas e talentosas de Hollywood. Porém alcançar o estrelato não foi fácil e Susan lutou arduamente para vencer no cinema. Em 1935, após realizar alguns testes sem sucesso na Broadway, Edythe Marrenner (seu nome verdadeiro) decidiu se tornar modelo. Em 1937 após ter suas fotografias publicadas no Saturday Evening Post foi convidada por David O. Selznick para realizar um teste para seu mais novo filme; E o Vento Levou. O papel em questão, era o de Scarlett O´Hara, que como todos sabem foi designado a Vivien Leigh. William A. Wellman que também estava em busca de uma jovem estrela se encantou com a beleza estonteante da modelo e lhe deu o papel de Isobel Rivers na aventura Beau Geste, estrelado por Gary Cooper. O ano era 1939 e Susan Hayward estreava nas telas, mas sua consagração como atriz estaria ainda muito longe de acontecer.

Susan Hayward uma das atrizes mais bonitas e talentosas de Hollywood
De modelo...
à Atriz.

Sua primeira indicação ao Oscar ocorreu em 1947 pelo filme Desespero, porém nesse ano venceu Loretta Young por sua performance em Ambiciosa. Em 1949, sua segunda indicação viria pelo melodrama Meu Maior Amor, todavia, Olivia DeHavilland, que brilhara em Tarde Demais, naquele ano tirou novamente a chance de vitória de Hayward. O mesmo ocorreu em 1952 com Meu Coração canta e em 1955 com Eu Chorarei Amanhã, onde ela perdeu para Shirley Bothe e Ana Magnani respectivamente. Além da decepção profissional que estava vivendo, Susan Hayward em meados de 1955 sofria grandes desilusões com seu ex-marido, o ator secundário Jess Barker. Em 1953 após uma discussão onde sofrera diversas agressões físicas, Hayward é lançada por Barker dentro da piscina onde este tenta a todo custo afogá-la, o motivo? Ele desejava um novo cadilac. A ruiva após o escândalo decide pedir o divórcio.


Cena de "Eu Chorarei Amanhã"
Hayward com o 1º esposo Jess Barker e filhos


Na ocasião, todos os jornais sensacionalistas publicavam matérias sobre a difícil convivência da atriz com o ator de outrora. Segundo a imprensa, Jess Barker não aceitava ver a esposa vencer na indústria cinematográfica enquanto ele sucumbia diante dos constantes fracassos. Mesmo depois do divórcio, Susan vivia recebendo as indesejáveis visitas do ex-marido, que se negava a trabalhar em outras áreas e vivia buscando algum dinheiro, sempre com o pretexto de visitar seus filhos, os gêmeos Gregory e Timothy, que na ocasião tinham dez anos. Mediante essa situação e a beira de um colapso, Susan Hayward não suportando mais viver daquela maneira decide por um fim em sua triste vida ingerindo dois vidros de seconal. Sua mãe Ellen Marrenner após receber uma estranha ligação da filha, como se essa estivesse se despedindo, decide avisar aos policiais. Esses ao arrombarem a porta da mansão da atriz já a encontra inconsciente jogada no chão. Por sorte, e graças à mãe, é socorrida a tempo, escapando da morte. 


E o 2º esposo Eaton Chalkley

Após esse lamentável episódio Susan Hayward decide internar os filhos em um colégio militar e desiludida desaparece completamente do cenário social e das telas. Os boatos a seu respeito passam a se tornar cada vez mais negativos e rumores sobre alcoolismo e promiscuidade são constantes. No entanto, dois anos depois, mas precisamente no dia 08 de fevereiro de 1957 Susan se casa com o advogado Eaton Chalkley da Geórgia e se muda definitivamente para lá levando consigo seus dois filhos. Um dia, e já livre da prisão, (onde se encontrara por ter atirado no amante de sua esposa, a então atriz Joan Bennett) o produtor Walter Wanger vai até a casa de Hayward levando até ela o roteiro de seu novo filme, o drama real sobre a vida de Barbara Graham, Quero ViverComo conhecia o produtor desde os tempos em que (e por intermédio dele) realizou seus primeiros testes em Hollywood, Susan Hayward decide voltar a Hollywood e dessa vez para interpretar uma prostituta condenada a câmera de gás por assassinato. A medida que lia o roteiro Susan ia se apaixonando cada vez mais por seu personagem, dando a ele toda força e veracidade possível. O resultado disso foi mais uma indicação ao Oscar, só que dessa vez com um desfecho bem diferente das anteriores. A noite de 06 de abril de 1959 foi mais que especial e Susan Hayward finalmente, dando a volta por cima, vence o prêmio de melhor atriz.


Como Barbara Graham, Hayward tem seu melhor desempenho (Quero Viver de Robert Wise)
Melhor atriz de 1958

Todavia nem tudo eram flores, e a felicidade de Susan não duraria tanto tempo como ela merecia. Em 1966 enquanto filmava na Itália o filme Charada em Veneza a atriz se vê desesperada quando recebe a noticia que seu esposo falecera de cirrose aguda em decorrência de uma hepatite. Terminadas as gravações e com o psicológico completamente abalado, Susan segue diretamente para um sanatório onde permanece por algum tempo. Em 1973 após meses sentindo fortes dores de cabeça é diagnosticada com um câncer cerebral inoperável. Ironia do destino ou não, dez anos antes Hayward havia interpretado uma moça rica e desenganada com um tumor cerebral em Horas Perdidas, a segunda versão do melodrama Vitória Amarga (1939). Em 1974 mesmo doente, participou ainda da cerimônia do Oscar e estava deslumbrante, a imprensa e os amigos chegaram a cogitar a hipótese de uma possível cura. Mas de fato isso não aconteceu e o destino mais uma vez foi cruel com aquela mulher forte batalhadora e por diversas vezes injustiçada. Susan Hayward morre na fria noite de 14 de março de 1975 aos 57 anos.


Susan Hayward (1917-1975)

33 comentários :

  1. De fato o destino lhe pregou mesmo uma dura peça. Seu filme, Horas Perdidas, dez anos depois daquele papel triste que interpretara, a realidade a arrasta do mesmo mal desta vida.

    Acredito em avisos que a vida direciona. Ela é assim, tal qual o enfermo, à beira da morte. Em determinado momento ele tem uma melhora súbita, inacreditável! Fala, mostra-se alegre e crente na cura, deixa a todos felizes e, no dia seguinte ele faz a derradeira viagem.

    Porém Susan foi uma atriz de muitos e belos filmes. Ela atuou quase que constantemente, como podemos ve-la em;Sangue de meu Sangue/49, Pauxão de Bravo/52, ao lado de Mitchum e Cotten, Vendaval de Paixões/42, de de Mille, Correio do Inferno/51, o excelente Jardim do Pecado/54, ao lado de Cooper, As Neves do Kilimanjaro/52, de uma obra de Hemingway e ao lado de Peck, Meu Coração Tem Dois Amores, de Hathaway e um dos filmes que mais gosto dela, ao lado de Stephen Boyd, tem 2 Amores/59, Sol e Sangue/59, ao lado de Chandler, o muito bom O Destino me Persegue/53, ao lado de Heston, Duelo de Paixões/55, dentre muitos e muitos outros bons filmes.

    No entanto acredito que ela foi mais uma das vitimas do Trágico filme, Sangue de Barbaros, que matou quase que todos que nele trabalharam e vitimas do mesmo mal, "cancer".

    Perdemos sim uma ótima e bela atriz. Seu Oscar em 1959 foi além de merecido e a Academia lhe foi injusta, pelo menos uma vez, nas outras vezes em que foi indicada.

    Mas desta Academia nem vale a pena falar, porque os mesmos erros e as mesmas injustiças ainda seguem nos dias atuais.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  2. Jefferson. Nós que somos de uma geração mais jovem não fazemos a real idéia de quem foi não somente esta grande atriz, mas também uma grande mulher. Indiscutivelmente, uma vida sofrida, cheio de altos e baixos como qualquer outro mortal.

    Susan era uma mulher extraordinária, que veio a superar muitos obstáculos, sobretudo a viver com um canalha e vagabundo como Jess Barker. Quando ela estava divorciada dele, ela até teve romances com outros atores, como Victor Mature e Richard Egan, como meio de fugir das frustrações, mas nada parecia satisfazê-la, ao passo que tentou o suicídio. Graças a Deus que a mãe teve tato e pôde salvar a vida da filha, e com isso, acabou também salvando um grande tributo no mundo da arte cinematográfica.

    No fundo, também tinha um temperamento tempestivo. Há dias fiz um comentário no blog do Rubens Ewald Filho sobre Susan, que também fez um artigo por ocasião do aniversário de seu falecimento, em 14 de março, e, segundo a atriz Diane Baker, que contracenou com Hayward em HORAS PERDIDAS, ela era uma pessoa difícil e estranha, e numa cena em que Susan a esbofeteia, ela dá um tapa de verdade e ela nunca pediu desculpas a Baker. É de se entender, já que as pessoas meramente sofridas são mesmo pessoas difíceis. Temos que entendê-las, e jamais julga-las.

    Viva Eternamente Susan!

    Grande post, amigo. Forte abraço

    Paulo Néry

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  3. Já conhecia parte da história de vida de Susan Hayward.

    É um grande melodrama que poderia render um filme.

    Abraço

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  4. Bela biografia neste artigo Jefferson.
    Hayward é da geração das verdadeiras estrelas do cinema, uma aura nessas mulheres que não consigo encontrar as palavras certas.

    Uma vida complicada, mas também feliz e como muitas outras...

    Abraço.

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  5. Jurandir, Paulo, Hugo e Rodrigo, valeu pela participação de vocês, sempre presentes....Abração

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  6. A história de Susan é realmente incrível, cheia de reviravoltas e superações. Ainda não conheço muito o trabalho dela como atriz, mas pretendo em breve consertar esta falha.
    Abraços!

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  7. Susan era uma guerreira e ótima atriz. Pena que fez muitos filmes ruins.

    O Falcão Maltês

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  8. Nossa... quantas reviravoltas tristas na vida dela...
    Com certeza uma guerreira... e seu papel no Eu Quero Viver é inesquecível!!

    ;D

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  9. Nossa, parabéns pelo texto, Jeff! Uma das minhas atrizes favoritas!
    Um abraço,
    Dani

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  10. Lê, Antonio, Karla e Dani, Muito Obrigado pela participação de Vocês,
    Grande Abraço

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  11. Jefferson! Mas que bela homenagem a minha querida Susan Hayward. Como muitos disseram acima, Susan foi uma guerreira. É uma pena que são poucos os que lembram de seu trabalho no cinema e o prêmio de melhor atriz, convenhamos, foi mais do que merecido.

    Ótimo post!

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  12. Olá, parabéns pelo blog e pelo trabalho magnífico de divulgação da sétima arte; suas postagens são de encantar nos remetendo ao passado e avivando nossas gratas recordações. Gostei tanto que já o sigo. Convido-lhe visitar e seguir o meu.
    http://vendedordeilusao.blogspot.com

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  13. Jefferson, sei que há vários DVDs de Nasce uma Estrela no mercado, alguns até que são anunciados como remasterizados. Eu vi o filme várias vezes na TV, quando foi exibido pelo canal Futura. A qualidade da cor é bem primitiva mesmo, bem diferente de, por exemplo, As Aventuras de Robin Hood, O Mágico de Oz e E o Vento Levou, outros filmes coloridos da década de 1930. As cenas de Hollywood são em tons mais vivos. Quando fui procurar vídeos para a postagem no YouTube, também encontrei a mesma qualidade de cor.
    Espero ter ajudado! Abraços!

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    Respostas
    1. Não entendi. Susan Hayward nada tem que ver com "Nasce Uma Estrela". E sim Janet Gaynor e, mais tarde, Judy Garland.

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    2. Além do mais, a cor que você chama de "primitiva" é, na realidade, uma cópia "colorizada"; houve época em que esse processo de tornar coloridos os filmes antigos esteve na moda, mas os recursos da época não eram tão bons como agora e a cor parece estranha. O filme original não era colorido.

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    3. O caso é que você assistiu uma cópia "colorizada", pois o filme original é em P&B. Não dá para comparar com filmes que foram filmados em cores, como é o caso de Robin Hood, Mágico de Oz e E o Vento Levou. Não é que a cor seja "primitiva", isso não existe. Apenas o processo de colorir filmes antigos (que durante um tempo esteve na moda, lá pelo início dos anos 1990) não rendia lá grande coisa, era um cor muito monótona e pouco acrescentava ao filme original.

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    4. Caro Paulo Pereira, obrigado por visitar o blog "O Cinema Antigo". Quanto ao comentário da leitora Lê, acerca da qualidade das cores de Nasce Uma Estrela (1937), o mesmo é a resposta de um questionamento que eu lhe fiz em seu blog, o ótimo Critica Retrô. Realmente você tem razão quando diz que Hayward nada tem a ver com o filme de William A. Wellmann; a leitora apenas utilizou esse espaço para sanar a minha dúvida. Com relação as cores do filme, Nasce Uma Estrela, ao contrário do que você disse, não foi filmado em P&B, e por isso, obviamente nunca fora colorizado. Na verdade. o melodrama produzido por Selznick, foi um dos primeiros filmes realizados 100% em Technicolor. Com o passar dos anos, o filme não foi remasterizado e por esse motivo as cópias disponíveis possuem uma cor desbotada e envelhecida. Esse foi o assunto que comentávamos, o descaso das distribuidoras quanto a remasterização desse que, sem dúvidas, é um dos grandes filmes de Hollywood. Grande abraço e muito obrigado por participar.

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    5. Tem razão, Jefferson. Verificando na minha coleção, pude ver que a cópia é mesmo em cores. No meu caso, está ainda em bom estado e não apresenta desbotamento. Mas eu gosto da versão com Judy Garland, porque ela canta, e tem um ator que gosto: James Mason. P.S.: Usei perfil "anônimo" porque o Google está dando problema no momento.

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    6. Todos os seres vivos sofrem neste mundo...acredito que ela viveu mais nos 57 anos do que a maioria das pessoas e teve alegrias também. Grande filme, nunca canso de rever, maravilhosa e eterna, vamos lembrar dela e não de seu destino final.

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  14. História bem sofrida a dela. Com certeza dá um filme dos mais dramáticos. Abraço, Jefferson, e valeu a dica dos filmes com Tyrone Power!

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  15. foi uma das atrizes que mais me encantaram na minha juventude josé simões filho {Guaçui,ES}

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  16. Merecida lembrança e homenagem dessa maravilhosa atriz, que reunia um grande
    beleza com um imenso talento. A presença de Susan nas telas era tão marcante
    que sua imagem ficava gravada em nossas mentes.

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  17. NÃO CONHECIA ESSA ATRIZ MAS VOU COMEÇAR A PESQUISAR.........

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  18. Sandra Regina de Carvalho19/01/2015 16:33

    Duelo de paixão 1955 ao lado do lindo Tyrone Power... amei!

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  19. Que mulher e atriz lindíssima.

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  20. Lembro deste filme - Quero Viver! - quando assisti ainda adolescente na finada TV Rio (só ela passava!) e adorei sua atuação (fora que a achei tão linda quanto Elizabeth Taylor). Nunca mais esqueci e sempre lamentei que não tinha a mesma projeção que Rita Hayworth (cujo sobrenome eu confundia!), nunca mais vi outro filme dela. E esta semana vai passar de novo (4a.às 22h no Telecine Cult!). Valeu, Susan! Descanse em paz!

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  21. Amo simplesmente, amo Susan...já nasci acho que amando-a....mesmo que ela já tinha partido a 11 anos antes do meu nascimento...temos uma ligação , somos parecidas em muitas coisas, meu pai dizia...amo seus filmes, meus favoritos:say goobye maggie cole 1972, correio do inferno 1951,smash-up!1947,my foolish heart 1949,enfim....saudades eternas...como ela dizia:'aprendi a crescer sofrendo".i love forever!!!s2

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  22. Sou , também, um grande fã.

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  23. Cecília Destefani Zandonadi11/03/2017 00:33

    Em minha juventude, assisti vários filmes de "Susan Hayword". Figura marcante, inesquecível. Saudades dela.

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  24. Cecília Destefani Zandonadi11/03/2017 00:38

    Em minha juventude, assisti muitos filmes de Susan Hayword...uma atriz maravilhosa, inesquecível. Saudade eterna.

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  25. Lourenço Paulillo02/05/2017 16:53

    Sempre foi minha atriz preferida, desde pequeno. Escrevi uma cartinha para Hollywood, para pedir um autógrafo, e vibrei quando ao chegar em casa da escola minha mãe me entregou um envelope do correio, que rapidamente abri e lá estava uma linda foto de Susan, autografada. Sempre torcia para ela ganhar o Oscar, até que finalmnte foi premiada com Quero Viver. O primeiro dos inúmeros filmes estrelados por ela que eu vi foi Meu Coração Canta. Palmas muito fortes pra ela, onde estiver. Sou de São Paulo, meu e-mail é: paulillo3@uol.com.br

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  26. Susan era uma linda mulher e tinha um talento enorme que a coloca entre as mais importantes artistas de cinema do século XX.

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