sábado, 11 de maio de 2013

"Top-Ten Westerns"


A pedido do amigo e editor do ótimo blog WESTERCINEMANIA, Darci Fonseca, elaborei uma lista com meus dez faroestes preferidos para que o mesmo publicasse em sua página. Para a minha alegria, nessa última semana o meu Top-Ten foi muito bem postado por ele, como vocês podem conferir clicando no link a seguir:  "Top-Ten Western". Diante disso, gostaria de agradecer imensamente ao nobre Darci pela oportunidade que me concedeu, uma vez que, para mim, foi mais que uma honra ter uma lista particular publicada em seu blog que é referência do gênero western no Brasil. Aos leitores do Westercinemania, que acessaram e comentaram o Top-Ten, também deixo os meus sinceros agradecimentos!

Capa muito bem elaborada por Darci Fonseca
em seu ótimo "Westercinemania"

Confiram agora, também no "O Cinema Antigo", a seleção dos meus dez faroestes preferidos!


Elaborar uma listagem, selecionando nossos filmes, músicas ou livros preferidos, apesar de parecer uma tarefa simples e prazerosa é muito mais difícil e complexa do que podemos imaginar. O trabalho, que se torna ainda mais árduo graças às indecisões causadas pela limitação do número de escolhidos, quase sempre gera injustiças, no entanto, se faz necessário que realmente somente os melhores se destaquem, dessa forma, apresento meu TOP – TEN, a lista dos meus dez faroestes preferidos;



10- UMA CIDADE QUE SURGE (Dodge City) De Michael Curtiz, com Errol Flynn, Olivia DeHavilland e Alan Hale, 1939, Primeiro faroeste estrelado pelo astro da Warner Bros. Errol Flynn, Uma Cidade que Surge é um grande filme! Foi o primeiro a reunir todos os clichês existentes em um bom western como os bons mocinhos e os malvados vilões, os típicos saloons com suas dançarinas de can-can, diligências, perseguições e muito bang-bang! Dirigido com maestria por Michael Curtiz o filme permanece entre os grandes clássicos do cinema e é o meu 10º colocado do gênero.




09- ONDE COMEÇA O INFERNO (Rio Bravo) De Howard Hawks, com John Wayne, Dean Martin e Walter Brennan, 1959, Resposta direta de Hawks e Wayne à obra prima (considerada por eles de apelo macartista) Matar ou Morrer de Fred Zinnemann, Onde Começa o Inferno conta a história de John T. Chance, um xerife que ao dispensar a ajuda de vários amigos, conta apenas com o auxilio de um beberrão e de um velhote para enfrentar o temido rancheiro Nathan e seus diversos capangas. Anos mais tarde, Hawks filmaria novamente outros faroestes que podem ser considerados seqüência desse, como El Dorado (1967) e Rio Lobo (1970), no entanto, apesar de serem bons filmes, sequer podem ser comparados com esse que é considerado por muitos, um dos maiores faroestes de todos os tempos e o meu 9º preferido.




08- ERA UMA VEZ NO OESTE (Once Upon a Time in the West) De Sérgio Leone, com Charles Bronson, Henry Fonda e Claudia Cardinale, 1968, O primeiro da trilogia “Era Uma Vez...” de Leone, esse filme que é um marco em vários sentidos, pode-se dizer é um dos maiores e melhores western spaguetti já realizados. Henry Fonda, que até então estava imortalizado no cinema sob o estereótipo do bom moço, aqui vive Frank, um dos mais ardilosos vilões que o faroeste já teve. Charles Bronson, em toda sua carreira, jamais conseguiu se superar e seu personagem, misterioso e enigmático com sua gaita “quase irritante” é sem dúvidas o ponto máximo desse grande sucesso que coloco em 8º lugar no meu ranking. 




07- RIO VERMELHO (Red River) De Howard Hawks, com John Wayne, Montgomery Clift e Walter Brennan, 1948, Howard Hawks, em quase cinqüenta anos de carreira, foi responsável por grandes sucessos em praticamente todos os gêneros que dirigiu, dos dramas aos musicais, do noir aos faroestes, o legado do diretor americano se tornou incontestável. Rio Vermelho, que é um de seus primeiros faroestes, conta a empolgante história da primeira condução de gado pela chamada trilha de Chisholm, do sul do Texas ao Kansas em meados do século XIX. A bela fotografia e as performances do astro John Wayne, do novato Clift e do veterano Brennan fazem desse clássico um filme inesquecível e o meu 7º preferido.




06- O INTRÉPIDO GENERAL CUSTER (They Died With Their Boots On) De Raoul Walsh, com Errol Flynn, Olivia DeHavilland, Charley Grapewin, Anthony Quinn, 1941, A história do General americano George Armstrong Custer, apesar de não ser contada com veracidade, é retratada minuciosamente nessa superprodução de Raoul Walsh. O filme, que pode ser dividido em duas partes (Guerra e Western), aborda a vida do general a partir de seu ingresso na academia militar de West Point; Enfatiza suas glórias na Guerra de Secessão e finalmente o exalta como herói da fronteira, onde se imortalizou na sangrenta batalha de Little Big Horn. Errol Flynn, que esta mais do que a vontade, interpreta com maestria o intrépido General, da mesma forma DeHavilland, que como esposa de Custer convence-nos através de uma interpretação tocante e comovente. Os coadjuvantes, Anthony Quinn, como o líder indígena cavalo louco e Charley Grapewin, como o marrento Califórnia Joe, em diversas seqüências roubam a cena, ajudando a imortalizar ainda mais esse grande filme que ocupa a 6º posição de minha lista. 




05- DANÇA COM LOBOS (Dances With Wolves) De Kevin Costner, com Kevin Costner, Mary McDonnell e Rodney A. Grant, 1990, Apesar de algumas pessoas considerarem Dança com Lobos um filme de aventura e drama, eu particularmente o vejo como um faroeste. Obviamente que nele não temos maléficos vilões empoeirados, lindas garotas dançando can-can e índios assassinos; Na verdade, esse vencedor de sete Oscar nos apresenta os índios de uma forma completamente diferente do que estávamos acostumados a ver desde os primórdios do cinema. Kevin Costner, que aqui estréia na direção, interpreta magistralmente John Dunbar, um oficial da cavalaria americana que após se destacar na guerra de secessão, escolhe a fronteira para ser seu novo posto. Ali, completamente isolado da civilização, Dunbar estabelece paulatinamente uma rica amizade com um lobo solitário, que ele intitula de “duas meias” e mais tarde com toda uma comunidade de índios Sioux. Banhado por uma trilha sonora marcante e uma fotografia inesquecível, Dança com Lobos é, sem dúvidas, um dos melhores filmes dos anos 90 e o meu 5º faroeste preferido.




04- O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (The Man Who Shot Liberty Valence) De John Ford, com John Wayne, James Stewart, Vera Miles e Lee Marvin, 1962, Quando o senador Ransom Stoddard chega acompanhado da esposa Hallie a um lúgubre funeral na pequena cidade de Shinbone, no oeste americano, suas reminiscências são trazidas a tona através de uma longa entrevista concedida a um curioso jornalista local. Sem dúvidas, um dos melhores (e últimos) filmes de John Ford. John Wayne e James Stewart demasiadamente brilham, da mesma forma Lee Marvin, como um dos mais desprezíveis vilões que o velho oeste já viu. Comovente e arrebatador, O Homem que Matou o Facínora é irrefutavelmente um dos melhores faroestes de todos os tempos e o meu 4º favorito do gênero.




03- MATAR OU MORRER (High Noon) De Fred Zinnemann, com Gary Cooper, Grace Kelly, Katy Jurado, Thomas Mitchell e Lloyd Bridges, 1952, É domingo de manhã em Hadleyville, o ex-xerife Will Kane acaba de se casar com Amy e se prepara para sair em lua de mel quando chega até ele um telegrama anunciando que Frank Miller, um bandido que ele condenou anos atrás, esta chegando no trem do meio dia para vingar-se. Aconselhado pelos amigos a fugir da cidade, Kane resiste à ameaça e sai em busca de companhia para enfrentar o temido assassino e seus comparsas, mas para sua decepção, não encontra ninguém capaz de ajudá-lo. Toda a ação do filme é em torno dessa tensão, da busca de Kane por ajuda. Lançado no auge da fase de “Caça as Bruxas”, alguns o consideravam uma verdadeira alegoria ao macarthismo. A declaração mais evidente dessa opinião foi dada por John Wayne em 1971 quando ele disse em uma entrevista que o filme era “a coisa mais antiamericana que ele já tinha visto”. Tendo esses ideais ou não, Matar ou Morrer imortalizou-se como grande clássico do cinema, venceu quatro Oscar; melhor ator (Gary Cooper), melhor montagem, melhor canção original (Do Not Forsake On My Darling) de Tex Ritter e melhor trilha sonora (Dimitri Tiomkim). Indispensável, não me canso de ver e rever esse ótimo faroeste que ocupa a 3º posição dos meus preferidos.




02- OS BRUTOS TAMBÉM AMAM (Shane) De George Stevens, com Alan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin, Brandon DeWilde, 1953, Shane é um cavaleiro errante que encontra abrigo no rancho de Joe Starrett, um colono que vive junto com a esposa Marian e o pequeno filho Joey em uma fazenda no Wyoming. A região, que antes servia somente para a criação de gado, é agora terrivelmente disputada entre os colonos e os poderosos boiadeiros que não os aceitam ali. No entanto, após a chegada de Shane, que traz consigo vestígios de um passado duvidoso, os colonos organizam-se e decidem enfrentar, frente a frente seus inimigos, principalmente o temido pistoleiro Jack Wilson, que a mando do líder dos boiadeiros, Ryker, chega ao vale com a missão de exterminar Starrett e todos os outros colonos “rebeldes”. Indiscutivelmente um dos melhores faroestes do cinema, clássico e comovente o filme não envelheceu e continua até os dias atuais encantando todos os públicos. Repetindo as sábias palavras de um crítico; Os Brutos Também Amam é apenas um faroeste, assim como Romeu e Julieta é apenas uma história de amor. Enfim, não é preciso dizer mais nada, com exceção, que é ele há muitos anos, meu 2º faroeste preferido.




01- RASTROS DE ÓDIO (The Searchers) De John Ford, com John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Natalie Wood e Ward Bond, 1956, Obra - prima atemporal de John Ford, Rastros de Ódio conta a magnífica história de Ethan Edwards, um veterano confederado da guerra de secessão que, após ter a família assassinada pelos selvagens Comanches, segue ao lado do “meio sobrinho” Martin Pawley em busca de Lucy e Debbie, as únicas sobreviventes do massacre. Filmado no cenário preferido do mestre do faroeste, o Monument Valley, no estado americano de Utah, esse clássico, apesar de não ter sido bem recebido em seu lançamento, com o passar dos anos se tornou o maior western de todos os tempos. Com legião de fãs em todo o mundo, Rastros de Ódio apresenta a combinação de todos os ingredientes necessários para um excelente filme do gênero, ou seja, aventura, drama, romance, humor e ação, muita ação no melhor estilo Ford. John Wayne, sem dúvidas tem o melhor desempenho de sua longa carreira, assim como Jeffrey Hunter, que alcançou sua quintessência através de Martin Pawley mesmo tendo interpretado Jesus Cristo cinco anos mais tarde em O Rei dos Reis de Nicholas Ray. A magnífica trilha sonora do mestre Max Steiner e a exímia fotografia de Winton C. Hoch em VistaVision tornam Rastros de Ódio ainda maior. Indispensável e obrigatório em qualquer coleção, The Searchers é sem dúvidas, desde a minha adolescência quando o vi pela primeira vez em VHS, o meu faroeste preferido.


domingo, 7 de abril de 2013

"O Gavião do Mar" (1940)

(The Sea Hawk) De: Michael Curtiz, Com Errol Flynn, Brenda Marshall, Claude Rains, Donald Crisp, Flora Robson, Alan Hale, Henry Daniell, EUA – Aventura – P&B – Warner – 1940.

Desde que o arrasa quarteirões Capitão Blood chegou às telas em 1935 trazendo de volta o gênero capa-espada e proporcionando muito lucro e sucesso a todos os envolvidos, o chefão da Warner Bros, Jack L. Warner (1892-1978) já planejava a próxima produção para Curtiz, Flynn e companhia. O estúdio, que obviamente visava lucros, pretendia repetir a mesma fórmula de Capitão Blood para garantir o sucesso. Para isso, novamente se pensou em um remake; O Gavião do Mar (The Sea Hawk), cuja trama também era baseada em um Best-seller de Rafael Sabatini (1875-1950), publicado em 1915 e filmado pela primeira vez em 1924 sob a direção de Frank Lloyd (1886-1960). Contudo, o projeto que a principio seria lançado em 1936 pegando carona em Blood, é deixado de lado quando preferiram incluir Errol Flynn em A Carga da Brigada Ligeira (1936) e depois em As Aventuras de Robin-Hood (1938). Flynn e Curtiz trabalhariam juntos em outros diversos filmes como; Meu Reino Por um Amor (1939), Uma Cidade Que Surge (1939), Caravana de Ouro (1940) e A Estrada de Santa Fé (1940) até finalmente reativarem os planos de refilmar o romance de Sabatini.

Felipe II ordena que Don José Alvarez de Cordoba navegue até a Inglaterra

Todavia, haviam se passado cinco anos desde o inicio do projeto e algumas mudanças ocorreram; Olivia De Havilland, fiel parceira de Flynn em quase todas as suas aventuras, diz não ao estúdio alegando não ter mais interesse em ser “a mocinha”. Além disso, Jack Warner também não se encontrava satisfeito com o enredo do livro, que segundo ele, contava “praticamente” a mesma história de Blood. Dessa forma, o primeiro problema é resolvido quando a novata Brenda Marshall (1915-1992) é convocada para substituir De Havilland. Marshall, que nessa época estava estrelando o terceiro longa de sua carreira, não conheceu a fama, a não ser pelo fato de ter sido esposa por mais de trinta anos do astro William Holden (1918-1982).  Quanto ao roteiro do filme, ficou decidido que não mais usariam o romance de Sabatini, no lugar dele; “Beggars of the Sea” (Mendigos do Mar) de Seton I. Miller (1902-1974). Miller que era responsável por ótimos scripts de filmes de gangster como G-Men (1935) e Balas e Votos (1936), receberia ainda o apoio de Howard Koch (1901-1995) para adaptar seu texto as telas. Koch alcançaria sua notoriedade anos mais tarde ao escrever o belíssimo roteiro de Carta de Uma Desconhecida (1948), considerado por muitos, (inclusive por esse que vos escreve) um dos filmes mais românticos da história do cinema. A escolha do texto de Seton I. Miller se deve ao fato da trama ser situada na Inglaterra elisabetana e sendo assim, levando em consideração o cenário político da época, Koch poderia elaborar subliminarmente, através de suas adaptações do roteiro, insinuações através das relações entre a Rainha Elizabeth I (1533-1603) e o Rei espanhol Felipe II (1527-1598), com as relações de Adolf Hitler (1889-1945) e Winston Churchill (1874-1965). Além dessas possibilidades de incluir mensagens subliminares na trama, era possível ainda reutilizar os cenários e os figurinos de Meu Reino Por Um Amor, filme que também se passa na Inglaterra do século XVI e que a pouco havia saído de cartaz. 

Capitão Geoffrey Thorpe ataca o galeão espanhol

Após serem concluídas todas as alterações e adaptações, por acreditarem ser um nome opulente, mantiveram somente o título do romance de Rafael Sabatini e da primeira versão do cinema, já que a trama em si, nada mais tinha a ver com eles.  A nova versão de O Gavião do Mar utiliza como pano de fundo, fatos históricos de grande importância da história moderna. No século XVI, representando o auge do governo absolutista na Europa, o reinado de Elizabeth I teria unificado a Inglaterra ao dominar a nobreza, afastar a igreja do governo e ao derrotar a Invencível Armanda Espanhola em 1588, abrindo de vez o caminho para sua ilha se tornar a maior potência colonizadora do novo mundo. Dentro desse contexto são incorporados ao filme, elementos fictícios para explicar como se deu essa vitória da Inglaterra sob a Espanha do rei Felipe II. O capitão Geoffrey Thorpe (Flynn) é um corsário inglês que mantém aberta as rotas marítimas do oceano Atlântico em nome da rainha Elizabeth I (Robson). Em uma de suas rondas, Thorpe intercepta e em sequencia afunda um galeão espanhol que navegava em direção à Inglaterra levando o embaixador e conspirador Don José Alvarez de Cordoba (Rains) e sua sobrinha Doña Maria (Marshall). Thorpe, apesar de seu ato saqueador, antes de afundar o galeão, liberta os escravos ingleses e oferece as confortáveis acomodações de sua embarcação a Don José e sua sobrinha, por quem inevitavelmente se apaixona. Todavia, ao aportarem na Inglaterra, Don José cobra da Rainha uma punição à Thorpe por seu ato selvagem, uma vez que os dois países “ainda” não estavam em guerra. Elizabeth, que faz vista grossa a ação de seu súdito, releva o acontecido e ignora o pedido do espanhol que, ainda na Inglaterra, se une ao braço direito e traidor da corte, Lorde Wolfingham (Daniell) numa conspiração contra Thorpe em sua próxima expedição ao novo mundo. 

A tripulação de Thorpe analisa os documentos espanhóis e...

A produção, que custou a Warner Bros mais de US$ 1,7 milhões, (orçamento milionário para a época) apesar de ter reutilizado parte dos figurinos e dos cenários de outro filme, apresentou inovações que nem mesmo Capitão Blood tinha apresentado, isto é, galeões construídos em tamanho real, ornamentados com minuciosos e ricos detalhes e filmagens em locações na América Central. A trilha sonora lírica do gênio Erich Wolgang Korngold (1897-1957) somada à belíssima fotografia de Sol Polito (1892-1960), proporciona ainda mais magnificência ao filme, que podemos concluir, trata-se de uma aventura absoluta e atemporal. Atenção especial para as sequencias finais, com o duelo de esgrima entre os personagens de Flynn, Daniell e as magníficas sombras de Curtiz, efeito que o diretor constantemente utilizava com maestria em seus filmes. Em suma, O Gavião do Mar é, desde seu lançamento, uma das maiores aventuras capa-espada da história do cinema. Imperdível e essencial na coleção de qualquer cinéfilo.

✩✩✩✩✩

 Saqueia as riquezas da embarcação
Doña Maria, espanhola, apaixona-se pelo corsário inglês Thorpe
Capitão Thorpe apresenta-se a corte e apesar das críticas
Logo se entende com sua Rainha
Thorpe enfrenta o traidor Lorde Wolfingham 
O sensacional duelo de esgrimas
Elizabeth intercede por Thorpe
Brenda Marshall e Errol Flyn em foto publicitária
O Rei do gênero "capa-espada" da Warner Brothers, Errol Flynn
Cartaz original do filme

domingo, 24 de março de 2013

"Jesse James" (1939)

(Jesse James) De: Henry King, Com: Tyrone Power, Henry Fonda, Nancy Kelly, Randolph Scott, John Carradine, Jane Darwell, Henry Hull, EUA – Cor – Faroeste – Fox – 1939.  

Jesse Woodson James nasceu no condado de Clay, atual cidade de Kearney no estado americano de Missouri no dia 05 de setembro de 1847. Filho do comerciante e pastor Batista Robert S. James (1818-1850) e Zerelda James (1825-1911), Jesse tinha dois irmãos, o mais velho Alexander Franklin “Frank” James (1843-1915) e Susan Lavenia James (1849-1889). Em 1861, com o inicio da Guerra de Secessão americana, os James, apesar de residirem num estado escravista que permanecera com a união, optaram em ficar ao lado dos confederados. Nessa época o Sr. Robert James, como se sabe, já havia falecido e Zerelda encontrava-se casada com o médico Reuben Samuel. Logo, Frank James já fazia parte do Missouri State Guard realizando recrutamento para os separatistas e lutando em batalhas como a Wilson´s Creek. Em 1863, Frank seria denunciado como membro de guerrilhas e passa a ser procurado por milícias da União, que acabam invadindo o sitio da família James-Samuel em sua busca. É nessa ocasião, segundo consta, que Jesse James, com então dezesseis anos, salva o irmão assassinando um oficial da união. Após o incidente, ambos fogem para uma floresta e se juntam ao grupo separatista liderado pelo sanguinário William T. Anderson (1839-1864). Em consequência desse ato, a família James-Samuel é expulsa do condado de Clay, enfurecendo ainda mais os irmãos Frank e Jesse James, que passam a viver deliberadamente de forma errante e fora da lei. Assaltando bancos e trens pagadores, os irmãos se tornam procurados pelo estado e pelo presidente da União, Ulysses S. Grant (1822-1885), que ofereciam altíssimas recompensas a quem os capturasse. 

Original: Cartaz anuncia recompensa por Jesse James

Lendários, os irmãos James tornaram-se os fora da lei mais famosos da história dos Estados Unidos. Desde a morte de Jesse, ocorrida em 1882 e de Frank, em 1915, foram muitas as “honras” prestadas a eles; Livros, gibis, canções, filmes e seriados retratavam sob diferentes viés (de facínoras a heróis) a vida daqueles que até hoje se faz questionar; foram vitimas do clima opressor de uma violenta guerra civil ou malfeitores pelos próprios desígnios? Hollywood desde muito cedo se interessou em levar às telas a história dos James. Os primeiros filmes sobre eles, especificamente sobre Jesse, foram Jesse James Under The Black Flag e Jesse James as the Outlaw, ambos produzidos em 1921 e trazendo no elenco o primogênito Jesse Edward James (1875-1951) interpretando o próprio pai. A partir de então, nenhuma década sequer passou sem que diversos filmes sobre os irmãos James chegassem às telas. Em 1939, além do faroeste clássico de Henry King aqui em destaque, foi produzido Days of Jesse James, dirigido por Joseph Kayne e estrelado por Roy Rogers. Nas décadas seguintes, além de Henry Fonda voltar como Frank no clássico de Fritz Lang O Retorno de Frank James (1940) e Roy Rogers, dessa vez como Jesse, em Jesse James at Bay (1941), seguiram-se; Preston Foster, sob a direção de Samuel Fuller em Eu Matei Jesse James (1949), Cavaleiros da Bandeira Negra (1950), Jesse James Women (1954), Quem foi Jesse James (1957), Valentão é Apelido (1959), Jesse James Meets Frankenstein´s Daughter (1966), A Time For Dying (1969), Sem Lei e Sem Esperança (1972), Cavalgada dos Proscritos (1980), The Last Days of Frank e Jesse James (1986), Frank e Jesse (1994), Jovens Justiceiros (2001) e por fim a recente superprodução O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (2007).

Alguns dos diversos filmes sobre Jesse James

O renomado diretor estadunidense Henry King (1886-1982) já havia trabalhado com o Superstar Tyrone Power (1914-1958) nos clássicos Na Velha Chicago (1937) e The Alexander´s Ragtime Band (1938) quando foi convocado novamente por Darryl F. Zanuck (1902-1979) para dirigir o ator no faroeste em Technicolor Jesse James (1939). O filme, que no Brasil chegou e permaneceu por muito tempo com o título Jesse James – Lenda de Uma Era Sem Lei, pode-se dizer que, apesar de não ser o mais fiel retrato da vida dos irmãos (e creio eu, essa nem foi a intenção dos produtores), é sem dúvidas o melhor faroeste sobre eles. A superprodução de 1,6 milhões de dólares não aborda em nenhum momento a participação dos James na guerra civil, conflito esse que no mesmo ano já estava sendo tratado minuciosamente em outra superprodução sob direção de Victor Fleming. O filme de King se inicia com a entrada dos irmãos Jesse e Frank (Power e Fonda respectivamente) no mundo do crime. Obviamente que no faroeste os fatos se misturam com a ficção e os motivos que levam os irmãos fugirem de sua fazenda no interior de Missouri não são os mesmos que aqui já foram citados. No filme, os irmãos se tornam foragidos da União após Jesse atirar em um funcionário da St. Louis Midland, empresa ferroviária que “obrigava” os pequenos proprietários a vender suas terras por míseros dólares. O filme aborda também o relacionamento e casamento de Jesse e Zee (Kelly) e os conflitos do proscrito com sua gangue, inclusive com seu amigo traidor e assassino Robert “Bob” Ford (Carradine). 

O Padecimento de Zerelda enfurece seus filhos Jesse e  Frank 

O roteiro de Nunnally Johnson (1897-1977) além de alegórico e dramático por diversas vezes apresenta tanto Jesse quanto Frank como grandes heróis, o que fica completamente evidente na cena final do filme, quando no funeral de Jesse, seu amigo Rufus Cobb (Hull) declama; “Não Tenham Dúvida, Jesse era um bandido, um fora da lei, um criminoso, até os que o amavam não sabem explicar isso, mas não nos envergonhamos dele, não sei porque e acho que nem a America sente vergonha de Jesse James, talvez seja por ele ter sido ousado e irreverente, como todos gostaríamos de ser, talvez porque nós  entendemos que ele não tinha culpa de ser o produto de uma época, talvez porque em dez anos ele levantou a poeira de cinco estados ou porque talvez ele foi tão bom naquilo que decidiu fazer, eu não sei, só sei que ele era um dos vaqueiros mais corajosos, ousados e safados que já andaram pelos Estados Unidos da América. Repleto de ação e boas sequencias de perseguições, o filme resistiu ao tempo e permanece como um dos grandes faroestes do cinema. Merecem destaques as incríveis interpretações de Power, Fonda e Jane Darwell com sua pequena participação como Zerelda James; No ano seguinte, Darwell novamente interpretaria a mãe de Henry Fonda na obra prima de John Steinbeck; As Vinhas da Ira (1940). Outro destaque do filme, porém negativo e inadmissível, é a sequência em que Jesse James salta de um penhasco com um cavalo. Na cena, o cavalo quebrou a coluna e obviamente morreu em consequência da queda, gerando revolta no público e nos integrantes do American Humane Association, que a partir daí passou a policiar todos os filmes rodados em Hollywood impedindo que outros animais sofressem maus tratos.  Com exceção dessa tétrica cena, o filme é agradável e sem dúvidas um bom entretenimento para os fãs do velho e extinto western americano.

✩✩✩



Jesse James vinga a morte de sua mãe
É Preso e logo em seguida liberto por seu irmão Frank
Jesse e Zee, enamorados
Jesse e Zee, casamento conturbado
Power, Kelly e Fonda em foto publicitária
Tyrone Power como Jesse James 
Henry Fonda, astro absoluto da 20º Century Fox
O Verdadeiro e lendário Jesse Woodson James (1847-1882)
Cartaz original do filme
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