sábado, 6 de outubro de 2012

"Os Brutos Também Amam" (1953)

(Shane) De: George Stevens, Com Alan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin, Brandon De Wilde, Jack Palance, Ben Johnson, Elisha Cook Jr, Emile Meyer, EUA - Faroeste - Cor - Paramount - 1953. 

O Diretor americano George Stevens (1904-1975), começou cedo sua carreira no meio artístico. Filho de um casal de atores, com dezessete anos conseguiu seu primeiro emprego como assistente de fotografia em Hollywood. Mais tarde após ser promovido, passou a trabalhar como cameraman nos curtas de Stan Laurel e Oliver Hardy até dirigir seu primeiro longa-metragem, The Cohens and Kellys in Trouble em 1933. Nos anos seguintes, George Stevens sob contrato com a RKO, dirigiu mais de onze filmes bem sucedidos, entre eles; A Mulher que Soube Amar (1935), Ritmo Louco (1936), e Gunga Din (1939). Na década seguinte, após assistir o documentário nazista O Triunfo da Vontade de Leni Riefenstahl, George Stevens decide se alistar no exército americano, onde passou a atuar como operador de câmera, registrando na Europa episódios históricos da segunda guerra mundial como o desembarque de soldados americanos em Normandia e a retirada de Judeus em campos de concentrações. Com o fim dos conflitos, George Stevens retorna à Hollywood e em parceria com William Wyler e Frank Capra fundam a Liberty Films, produtora independente que permaneceu na ativa até 1951 quando foi comprada pela Paramount. Nesse momento, o próprio Stevens passa a fazer parte da equipe Paramount, realizando duas de suas principais obras; Um Lugar ao Sol (1951), e Os Brutos Também Amam (1953). 

Alan Ladd é Shane

Os anos 50, que podem ser considerados os melhores da carreira de George Stevens, foram marcados ainda por seus dois prêmios Oscar de melhor direção (1951 e 1956) e pelo sucesso dos épicos Assim Caminha a Humanidade (1956) e O Diário de Anne Frank (1959). A história de Os Brutos também amam nasceu em 1949 com a publicação da novela Western Shane de Jack Schaefer. O grande sucesso do livro chamou a atenção de Stevens, que até então nunca havia realizado um faroeste sequer. No entanto, diante do estrondoso sucesso de Um Lugar ao Sol o premiado diretor tinha carta branca no estúdio para realizar o projeto que desejasse. Desta forma, ao lado dos produtores executivos Ivan Moffat e Fred Guiol, George Stevens, que detinha os direitos sobre a obra de Schaefer, decide levá-la as telas com grande ostentação e magnificência. 


Brandon De Wilde é Joey Starrett

A princípio, o elenco principal seria formado, a pedido do próprio diretor, por William Holden, Katharine Hepburn e Montgomery Clift, no entanto, os três se negaram a participar da produção. A Paramount que dispunha de uma vasta lista de artistas contratados sugeriu alguns nomes disponíveis ao diretor que imediatamente escalou; o ótimo Van Heflin (O Tempo Não Apaga, Os Três Mosqueteiros), a estrela de outrora que há cinco anos não participava de um filme Jean Arthur (Do Mundo Nada Se Leva, O Galante Mr. Deeds) e o astro dos filmes policiais Alan Ladd (Alma Torturada, A Chave de Vidro). Outros importantíssimos nomes do elenco foram, o ator mirim Brandon De Wilde, que vinha de um retumbante sucesso nos palcos da Broadway e o eterno vilão mal encarado “Walter” Jack Palance. Magistralmente fotografado por Loyal Griggs (Natal Branco, Os Dez Mandamentos) as gélidas montanhas Grand Teton de Jackson Hole, no Wyoming nunca haviam sido levadas a tela de forma tão espetacular. Griggs merecidamente venceu o único Oscar de Shane por seu excelente trabalho. Edith Head (figurinista) e Victor Young (Trilha Sonora) também colaboraram notavelmente com a construção desse poderoso filme que, sem exagero algum afirmamos, já nasceu clássico!   


Shane e os Starrett

Shane (Ladd) é um cavaleiro errante que encontra abrigo no rancho de Joe Starrett (Heflin) um colono que vive junto com a esposa Marian (Arthur) e o pequeno filho Joey (De Wilde) em uma fazenda no Wyoming. A região que antes servia somente para a criação de gado é agora terrivelmente disputada entre os colonos e os poderosos boiadeiros que não os aceitam ali. No entanto, após a chegada de Shane, que traz consigo vestígios de um passado duvidoso, os colonos organizam-se e decidem enfrentar, frente a frente seus inimigos, principalmente o temido pistoleiro Jack Wilson (Palance) que a mando do líder dos boiadeiros, Ryker (Meyer), chega ao vale com a missão de exterminar Starrett e todos os outros colonos “rebeldes”. Indiscutivelmente um dos melhores faroestes do cinema, clássico e comovente o filme não envelheceu, sendo recomendado a todos os públicos. A Interpretação de De Wilde, que fora indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante é um dos pontos altos do filme, que ainda volto a dizer, conta com a excelente direção de Stevens e a comovente trilha de Young. Repetindo as sábias palavras de um crítico; Os Brutos Também Amam é apenas um faroeste, assim como Romeu e Julieta é apenas uma história de amor. Enfim, não é preciso dizer mais nada.

✩✩✩✩✩ 

Joey Tímido, recepciona o cavaleiro errante
Ryker com seus capangas visitam Joe Starrett
Shane encontra o encrenqueiro cowboy Chris 
O pequeno Joey tomando aulas de tiro ao alvo
O temido Jack Wilson chega ao Grafton´s 
E mais tarde mostra a que veio
Shane cumpre sua missão e vai, deixando Joey esfacelado 
O astro Alan Ladd nos anos 1940
Bela, Jean Arthur reinou nos anos 1930, principalmente nos filmes de Frank Capra

Foto publicitária de Shane
Cartaz original do filme

14 comentários :

  1. Fiquei curioso para ver. Valeu pela dica, Jefferson!

    http://monteolimpoblog.blogspot.com.br/

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  2. Shane é ótimo em todos os sentidos! Só Brandon De Wilde que me irrita em alguns momentos... Imagino como seria a produção com os outros atores. Jean Arthur está muito bem no último filme de sua carreira.
    Gostei muito também de saber mais sobre George Stevens.
    Abraços!

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  3. Um dos integrantes da "trilogia da América" de Stevens, ao lado de "Um Lugar Ao Sol" e "Assim Caminha A Humanidade". Belo Faroeste, clássico entre os clássicos. Stevens é um dos meus diretores preferidos. Abraço!

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  4. Clássico absoluto. Todo o elenco está perfeito.

    O Falcão Maltês

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  5. Existe uma teoria de que Shane na verdade morreu em cima do cavalo após o ultimo duelo. Isso explica porque ele não olha para traz quando o menino grita por ele e sua cabeça fica meio que balançando e sem vida.
    Indispensável para qualquer cinéfilo que se preze.

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  6. Já ouvi falar muito nesse filme, mas confesso que nunca vi ele todo.
    Vou procurar.

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  7. Gosto do gênero, mas ainda não conferi este clássico.

    Abraço

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  8. Não conhecia o filme. Mas o diretor, claro. Assisti O Diário de Anne Frank e Assim Caminha a Humanidade e me apaixonei pelos filmes. Gostei muito da dica.
    Bom feriado pra você.
    Grande abraço.

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  9. Jefferson, meu blog está no segundo turno do top blog! É só clicar no banner dourado na barra lateral do blog. Conto com seu voto para mais esta conquista!

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  10. Gabriel e demais que não viram ainda o filme, assistam, não vão se arrepender.
    Lê, De Wilde te irrita? Coitado, ele rouba a cena de tão bom... kkkk
    Fábio, realmente, essa trilogia de Stevens é obrigatória em qualquer coleção...
    Antonio, absoluto mesmo,
    Marcelo, nunca tinha ouvido sobre essa teoria de shane morto ao cavalo, nem nos comentários de Moffat e Stevens jr nos extras do dvd, acho que não passa de mito...
    Lê, estou indo votar em vc...

    Abraços a todos

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  11. Olá, Jefferson - Muito boa resenha,como sempre. Postei recentemente uma crítica de Eugênio Bucci falando sobre Shane. O título da postagem é: "Shane, execrado por Eugênio Bucci". Sabe como é, só falam bem desse filme...Toda unanimidade é perigosa... Um abraço do Darci Fonseca

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  12. Filme inesquecível,
    George Stevens é um mestre!
    Parabéns pela ótima resenha.

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  13. Mais uma excelente análise e informações ôbre um clássico, Jefferson, parabéns ! Gostaria de lembbrar que li há algum tempo um comentário sôbre "Shane" em que o famoso e saudoso crítico brasileiro PAULO PERDIGÃO considerava esta obra prima, mais que um clássico... "a própria gênese do faroeste"...e eu, humildemente concordo...grande abraço !

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  14. Demorei pra gostar do filme, a primeira vez vi com imagem muito ruim de VHS, mas o DVD ainda não era tão bom. Quando vi a versão original em BD, recentemente, caiu meu queixo, literalmente...e digo: É uma das maiores obras do cinema, não só como faroeste, mas no geral...além do garoto Joey que quase me levou às lágrimas, fiquei impressionadíssimo com os cuidados do roteiro e produção, poucos filmes foram tão detalhistas. Observem a presença dos animais em cena, por exemplo - acredito que nenhum filme teve tanto respeito por eles como Shane. e olha que vejo cinema Há mais de 45 anos. Enfim, digno de entrar em qualquer top 10 de todos os tempos.

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